LBV na Rio+20

A Legião da Boa Vontade (LBV) participará, de 13 a 22 de junho, da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O evento, que ocorrerá no Rio de Janeiro/RJ, marca os vinte anos da realização da Rio-92, tendo como principal objetivo renovar os compromissos políticos para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza.

A Instituição realizará, com o suporte do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (UN/Desa), o painel temático “Cooperação Construtiva”, reunindo empresários, autoridades e delegações de vários países. O painel será no dia 17 de junho, às 11h30, no Auditório T9, no Riocentro, e terá a participação das seguintes autoridades: Andrei Abramov, chefe da Seção de ONGs do UN/Desa; Rodrigo Rollemberg, senador da República do Brasil e coordenador da Cúpula de Legisladores da Rio+20; Daniel Nava, secretário de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Amazonas; Fábio Feldmann, advogado, ambientalista e ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; Neilton Fidelis da Silva, pesquisador do Instituto Virtual de Mudanças Globais (IVIG/Coppe-UFRJ) e assessor técnico da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas; Marcos Terena, líder indígena; e Danilo Parmegiani, mediador e representante da LBV na ONU.

Ainda, na oportunidade, a Instituição apresentará os resultados do 9º Fórum Intersetorial Rede Sociedade Solidária — 6ª Feira de Inovações, que reuniu, em março deste ano, gestores, profissionais e militantes de organizações da sociedade civil, de empresas e de órgãos públicos, professores e estudantes universitários, de cinco países da América Latina (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai). Portanto, durante o painel temático, a LBV demonstrará as principais contribuições que a América do Sul pode oferecer para a redução da pobreza e a promoção do emprego e do trabalho decente no contexto de uma economia verde, temas em debate no fórum da Rede Sociedade Solidária que anteciparam as discussões centrais da Rio+20.

Vale ressaltar que a Legião da Boa Vontade possui status consultivo geral no Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc) e tem realizado desde 2004, com o suporte do UN/Desa, fóruns que promovem permanente diálogo e a troca de experiências sobre boas práticas que ajudam a combater os maiores problemas da sociedade. Na concretização desses eventos, a LBV tem contado também com o importante apoio do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (Unic Rio) e de outros órgãos, fundos e agências das Nações Unidas.

Cúpula dos Povos

A LBV ainda está em constante diálogo com o grupo “Religiões por Direitos” para participar das atividades autogestionadas da Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, um importante espaço para a sociedade civil. O evento ocorrerá de 15 a 23 de junho, no Aterro do Flamengo.

Mais informações sobre as ações da LBV na Rio+20 podem ser obtidas no site http://www.lbv.org.brou pelos tels. (11) 3225-4500 e (21) 2216-7800.

A Legião da Boa Vontade (LBV) participará, de 13 a 22 de junho, da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O evento, que ocorrerá no Rio de Janeiro/RJ, marca os vinte anos da realização da Rio-92, tendo como principal objetivo renovar os compromissos políticos para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza.

A Instituição realizará, com o suporte do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (UN/Desa), o painel temático “Cooperação Construtiva”, reunindo empresários, autoridades e delegações de vários países. O painel será no dia 17 de junho, às 11h30, no Auditório T9, no Riocentro, e terá a participação das seguintes autoridades: Andrei Abramov, chefe da Seção de ONGs do UN/Desa; Rodrigo Rollemberg, senador da República do Brasil e coordenador da Cúpula de Legisladores da Rio+20; Daniel Nava, secretário de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Amazonas; Fábio Feldmann, advogado, ambientalista e ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; Neilton Fidelis da Silva, pesquisador do Instituto Virtual de Mudanças Globais (IVIG/Coppe-UFRJ) e assessor técnico da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas; Marcos Terena, líder indígena; e Danilo Parmegiani, mediador e representante da LBV na ONU.

Ainda, na oportunidade, a Instituição apresentará os resultados do 9º Fórum Intersetorial Rede Sociedade Solidária — 6ª Feira de Inovações, que reuniu, em março deste ano, gestores, profissionais e militantes de organizações da sociedade civil, de empresas e de órgãos públicos, professores e estudantes universitários, de cinco países da América Latina (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai). Portanto, durante o painel temático, a LBV demonstrará as principais contribuições que a América do Sul pode oferecer para a redução da pobreza e a promoção do emprego e do trabalho decente no contexto de uma economia verde, temas em debate no fórum da Rede Sociedade Solidária que anteciparam as discussões centrais da Rio+20.

Vale ressaltar que a Legião da Boa Vontade possui status consultivo geral no Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc) e tem realizado desde 2004, com o suporte do UN/Desa, fóruns que promovem permanente diálogo e a troca de experiências sobre boas práticas que ajudam a combater os maiores problemas da sociedade. Na concretização desses eventos, a LBV tem contado também com o importante apoio do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (Unic Rio) e de outros órgãos, fundos e agências das Nações Unidas.

Cúpula dos Povos

A LBV ainda está em constante diálogo com o grupo “Religiões por Direitos” para participar das atividades autogestionadas da Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, um importante espaço para a sociedade civil. O evento ocorrerá de 15 a 23 de junho, no Aterro do Flamengo.

Mais informações sobre as ações da LBV na Rio+20 podem ser obtidas no site http://www.lbv.org.br ou pelos tels. (11) 3225-4500 e (21) 2216-7800.

Atalhos em nossas vidas

Renata LombardiDois jovens recém-casados, eram muito pobres e viviam de favor num sítio no interior. 
Um dia o marido fez a seguinte proposta a esposa: 
” Querida, eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego, e trabalhar até Ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável.

Não sei quanto tempo eu vou ficar longe, só peço uma coisa: Que você me espere, e enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você.

Assim sendo, o jovem saiu, andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda. O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito.

Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito. 
O pacto foi o seguinte: Me deixe trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o senhor me dispensa das minhas obrigações. Eu não quero receber meu salário. Peço que o senhor o coloque na poupança até o dia em que eu for embora. No dia em que eu sair o senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho. 
Tudo combinado. Aquele jovem trabalhou durante 20 anos, sem férias e sem descanso. 
Depois de 20 anos ele chegou para o patrão e disse: 
“Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para minha casa. O patrão então lhe respondeu.

Tudo bem, afinal fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes, quero lhe fazer uma proposta, tudo bem ?

Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou lhe dou 3 conselhos e não lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense e depois me de a resposta.”

Ele pensou durante 2 dias, procurou o patrão e disse-lhe: 
” Quero os três conselhos.” 
O patrão novamente frisou: 
” Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro.” 
E o empregado respondeu: 
” Quero os conselhos.” 
O patrão então lhe Falou:

1º Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida;

2º Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para mal pode ser fatal;

3º Nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.

Após dar os conselhos o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim: 
“Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar em sua casa.”

O homem então seguiu seu caminho de volta, depois de 20 anos longe de casa e da esposa que tanto amava. Após o 1º dia de viagem encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou: 
Pra onde você vai ?

Ele respondeu: 
Vou para um lugar muito longe que fica a mais de 20 dias de caminhada pôr esta estrada. 
O andarilho disse-lhe então: 
Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que é ‘dez’ e você chega em poucos dias.

O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do 1º conselho, então voltou e seguiu o caminho normal. Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada. Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão a beira da estrada, onde pode hospedar-se.

Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir. De madrugada, acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se, de um salto só e dirigiu-se a porta para ir até o local do grito. Quando esta abrindo a porta lembrou-se do 2º conselho. 
Voltou, deitou-se e dormiu, Ao amanhecer, após tomar o café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido. 
O hospedeiro disse:

E você não ficou curioso ? Ele disse que não.

O hospedeiro respondeu: 
Você é o primeiro hospede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura, grita durante a noite e quando o hospede sai, mata-o e enterra-o no quintal. 
O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso pôr chegar a sua casa. Depois de muitos dias e noites de caminhada…..Já no entardecer, viu entre as arvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa. Estava anoitecendo, mas ele pode ver que ela não estava só. Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre os braços um homem, que a estava acariciando os cabelos. Quando viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de encontro aos dois e matá-lo sem piedade.

Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou-se do 3º conselho. Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão. 
Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse:

” Não vou matar minha esposa e nem seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes quero dizer a minha esposa que eu sempre fui fiel a ela.”

Dirigiu-se a porta da casa e bateu. Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira ao seu pescoço e o abraça afetuosamente. Ele tenta afastá-la, mas não consegue. Então, com lágrimas nos olhos, lhe diz: 
” Eu fui fiel a você e você me traiu.” Ela espantada responde:

” Como ? Eu nunca te traí, te espero durante esses 20 anos.” 
Ele então lhe perguntou:

” E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer ? ” Ela lhe disse: 
” Aquele homem é nosso filho. Quando você foi embora descobri que estava grávida. Hoje ele está com 20 anos de idade.

Então o marido entrou, conheceu, abraçou seu filho e coutou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café. Sentaram-se para toma-lo e comer juntos o último pão. Após a doação de agradecimento, com lágrimas de emoção , ele parte o pão e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pacto pôr seus 20 anos de dedicação.

Muitas vezes achamos que o atalho “queima etapas” e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade….

Muitas vezes somos curiosos, queremos saber da coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará….

Outras vezes agimos pôr impulso, na hora da raiva e fatalmente nos arrependemos depois….

Espero que você, assim como eu, não esqueça desses 3 conselhos, e não esqueça também de confiar, mesmo que a vida muitas vezes já tenha lhe dado motivos para a desconfiança.

A mariposa e a estrela

Renata LombardiConta a lenda que uma jovem mariposa de corpo frágil e alma sensível voava ao sabor do vento certa tarde, quando viu uma estrela muito brilhante e se apaixonou.

Voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor, mas a mãe lhe disse friamente: que bobagem! As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno delas. Procure um poste ou um abajur e se apaixone por algo assim; para isso nós fomos criadas.

Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta e pensava: que maravilha poder sonhar!


Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante e demonstrar seu amor. Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal. Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho, iria terminar chegando à estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava de seu amor.

Esperava com ansiedade que a noite descesse e, quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.

Sua mãe ficava cada vez mais furiosa e dizia: estou muito decepcionada com a minha filha. Todas as suas irmãs e primas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpadas! Você devia deixar de lado esses sonhos inúteis e arranjar um amor que possa atingir.

A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa. Mas, no fundo, como, aliás, sempre acontece, ficou marcada pelas palavras da mãe e achou que ela tinha razão.

Por algum tempo, tentou esquecer a estrela, mas seu coração não conseguia esquecer a estrela e, depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu.

Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas, quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza. Entretanto, à medida que ia ficando mais velha, passou a prestar atenção a tudo que via à sua volta.

Lá do alto podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas e irmãs já tinham encontrado um amor, mas, ao ver as montanhas, os oceanos e as nuvens que mudavam de forma a cada minuto, a mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.
Muito tempo depois resolveu voltar à sua casa e aí soube pelos vizinhos que sua mãe, suas irmãs e primas tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas pelo amor que julgavam fácil.

A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo que, às vezes, os amores difíceis e impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles amores fáceis e que estão ao alcance de nossas mãos.
Com esta lenda aprendemos duas coisas: valorizar o amor e lutar pelos nossos sonhos, porque sabemos que é a realização deles que nos faz feliz e lembremos: 
O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver seus sonhos.

O carvalho e os juncos

Renata LombardiUm grande carvalho foi arrancado do chão pela ventania e arrastado por forte correnteza. Então dentro da água ele se viu no meio de alguns Juncos, e, assim lhes falou: 

– Gostaria de ser como vocês que de tão esguios e frágeis não são de modo algum afetados por estes fortes ventos. 

Eles responderam: 

– Você lutou e competiu com o vento, e, conseqüentemente foi destruído. Nós, ao contrário, nos curvamos diante do mais leve sopro de ar, e, por esta razão permanecemos inteiros e a salvo. 

Moral da História: 
Para vencermos o mais forte, não devemos usar a força e sim a gentileza e a humildade.

A máquina de escrever

Renata LombardiApxsar dx minha máquina dx xscrxvxr sxr um modxlo antigo, funciona bxm, com xxcxção dx uma txcla.
Há 42 txclas qux funcionam bxm, mxnos uma, x isso faz uma grandx difxrxnça.

Às vxzxs, mx parxcx qux mxu grupo x como a minha máquina dx xscrxvxr, qux nxm todos os mxmbros xstão dxsxmpxnhando suas funçõxs como dxviam, qux txm um mxmbro achando qux sua ausxncia não fará falta…

Vocx dirá: “Afinal, sou apxnas uma pxça sxm xxprxssão x, por isso, não farxi difxrxnça x falta à comunidadx.” Xntrxtanto, para uma organização podxr progrxdir xficixntxmxntx, prxcisa da participação ativa x consxcutiva dx todos os sxus intxgrantxs.

Na próxima vxz qux vocx pxnsar qux não prxcisam dx vocx, lxmbrx-sx da minha vxlha máquina dx xscrxvxr x diga a si mxsmo: “Xu sou uma pxça importantx do grupo x os mxus amigos prxcisam dx mxus sxrviços!”

Pronto, agora consertei a minha máquina de escrever. Você entendeu o que eu queria te dizer?

Percebeu a sua imensa participação na vida daqueles ao seu redor? Percebeu que assim como tem pessoas que são importantes para nós, também, somos importantes para alguém?

Lembre-se de que somos parte do Universo e como tal somos uma peça que não podemos faltar no quebra-cabeça da vida…

A janela e o espelho

Renata LombardiUm jovem muito rico foi ter com um rabi, e lhe pediu um conselho para orientar sua vida. Este o conduziu até a janela e perguntou-lhe: – O que vês através dos vidros?
Vejo homens que vão e vêm, e um cego pedindo esmolas na rua. Então o rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente o interrogou:
Olha neste espelho e dize-me agora o que vês.

Vejo-me a mim mesmo.

E já não vês os outros! Repara que a janela e o espelho são ambos feitos da mesma matéria prima, o vidro; mas no espelho, porque há uma fina camada de prata colada a vidro, não vês nele mais do que a tua pessoa. Deves comparar te a estas duas espécies de vidro. Pobre, vias os outros e tinhas compaixão por eles. Coberto de prata – rico – vês apenas a ti mesmo.

Sê vales alguma coisa, quando tiveres coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os olhos, para poderes de novo ver e amar aos outros.

Nós e o espelho

Renata LombardiAlguém, muito desanimado, entrou numa igreja e em determinado momento, disse para Deus:

– Senhor, aqui estou porque em igrejas não há espelhos. Nunca me senti satisfeito com minha aparência.

Subitamente uma folha de papel caiu aos seus pés, vinda do alto do templo. Atônito, ele a apanhou e nela viu a seguinte mensagem:

“Minha criatura, nenhuma das minhas obras veio ou ficou sem beleza, pois a feiúra é invenção dos homens, e não minha.

Não importa se um corpo é gordo ou magro: ele é o templo do Espírito e este é eterno;
Não importa se braços são longos ou curtos: sua função é o desempenho do trabalho honesto;

Não importa se as mãos são delicadas ou grosseiras: sua função é dar e receber o Bem;
Não importa a aparência dos pés: sua função é tomar o rumo do Amor e da Humildade;
Não importa o tipo de cabelo, se ele existe ou não numa cabeça: o que importa são os pensamentos que por ela passam;

Não importa a forma ou a cor dos olhos: o que importa é que eles vejam o valor da Vida;
Não importa um formato de nariz: o que importa é inspirar e expirar a Fé;
Não importa se a boca é graciosa ou sem atrativos: o que importa são as palavras que saem dela”.

Ainda atônito, esse alguém dirigiu-se para a porta de saída, que tinha algumas partes de vidro.

Nesse exato momento sentiu que toda sua vida se modificaria. Havia esse lembrete colado à porta:

“Veja com bons olhos seu reflexo neste vidro e lembre-se de tudo que deixei escrito. Observe que não há uma única linha sobre Mim que afirme que sou bonito”.

Barulho de carroça

Renata LombardiCerta manhã, meu pai convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. 
Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:

– Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:

– Estou ouvindo um barulho de carroça.

– Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia …

Perguntei ao meu pai:

– Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

– Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, inoportuna, interrompendo a conversa de todo mundo, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz…

O elefante acorrentado

Renata LombardiVocê já observou elefante no circo? Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais. Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo. A estaca é só um pequeno pedaço de madeira. E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir.

Que mistério! Por que o elefante não foge?

Há alguns anos descobri que, por sorte minha, alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno. Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso: naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.

Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode. Para que ele consiga quebrar os grilhões é necessário que ocorra algo fora do comum, como um incêndio por exemplo. O medo do fogo faria com que o elefante em desespero quebrasse a corrente e fugisse.

O cachorro e a sombra

Renata LombardiUm cachorro, ao cruzar uma ponte sobre um riacho carregando um pedaço de carne na boca, viu sua própria imagem refletida na água e pensou que fosse outro cachorro com um pedaço com o dôbro do tamanho do que carregava. 

Êle então largou sua carne, e, ferozmente atacou o outro cachorro para tomar-lhe aquele pedaço que era bem maior que o seu. 

Agindo assim êle perdeu ambos; Aquele que tentou pegar na água, pois era apenas um reflexo; e o seu próprio que caiu no riacho e foi levado pela correnteza. 

Moral da História: 
Quem desiste do certo pelo duvidoso é um tolo duas vezes imprudente.

Lobos internos

Renata LombardiUm velho Avô disse ao seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo, que lhe havia feito uma injustiça:
“Deixe-me contar-lhe uma história.”

Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que aprontaram tanto, sem qualquer arrependimento daquilo que fizeram. 

Todavia, o ódio corrói você, mas não fere seu inimigo. 

É o mesmo que tomar veneno, desejando que seu inimigo morra. 

Lutei muitas vezes contra estes sentimentos…” 

E ele continuou: “É como se existissem dois lobos dentro de mim. 

Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. 

Ele só lutará quando for certo fazer isto. E da maneira correta. 

Mas, o outro lobo, ah! Este é cheio de raiva. Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira! 

Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo.

Ele não pode pensar porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. 

É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma! 

Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito”. 

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu Avô e perguntou: 

“Qual deles vence, Vovô?” 

O Avô sorriu e respondeu baixinho: 

“Aquele que eu alimento mais freqüentemente”.

 

Milho premiado

Renata LombardiEsta é a história de um fazendeiro bem sucedido. 
Ano após ano, ele ganhava o troféu “Milho Gigante” da feira da agricultura do município. 
Entrava com seu milho na feira e saía com a faixa azul recobrindo seu peito. 
E o seu milho era cada vez melhor.

Numa dessas ocasiões, um repórter de jornal, ao abordá-lo após a já tradicional colocação da faixa, ficou intrigado com a informação dada pelo entrevistado sobre como costumava cultivar seu qualificado e valioso produto.

O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do seu milho gigante com os vizinhos.

“Como pode o Senhor dispor-se a compartilhar sua melhor semente com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano?” – indagou o repórter.

O fazendeiro pensou por um instante, e respondeu:

“Você não sabe? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho.Se eu quiser cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meu vizinhos a cultivar milho bom”.

Ele era atento às conectividades da vida.

O milho dele não poderia melhorar se o milho do vizinho também não tivesse a qualidade melhorada.

Assim é também em outras dimensões da nossa vida.

Aqueles que escolhem estar em paz devem fazer com que seus vizinhos estejam em paz. 
Aqueles que querem viver bem têm que ajudar os outros para que vivam bem.

E aqueles que querem ser felizes têm que ajudar os outros a encontrar a felicidade, pois o bem-estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos.

Que todos vocês consigam ajudar seus vizinhos a cultivar milho cada vez melhor.

A cobra e o vagalume

Renata LombardiEra uma vez uma cobra que começou a perseguir um vagalume que só vivia para brilhar.
Ele fugia rápido com medo da feroz predadora e a cobra nem pensava em desistir.
Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada…

No terceiro dia, já sem forças o vagalume parou e disse à cobra:
– Posso fazer três perguntas ?
– Não costumo abrir esse precedente para ninguém mas já que vou te comer mesmo, pode perguntar…

– Pertenço a sua cadeia alimentar ?
– Não.
– Te fiz alguma coisa ?
– Não.
– Então por que você quer me comer ?

– PORQUE NÃO SUPORTO VER VOCÊ BRILHAR…

Pensem nisso e selecione as pessoas em quem confiar.

Morangos

Renata LombardiUm sujeito estava caindo em um barranco e se agarrou as raízes de uma árvore.

Em cima do barranco, havia um urso imenso querendo devorá-lo.

O urso rosnava, mostrava os dentes, babava de ansiedade pelo prato que tinha a sua frente.

Embaixo, prontas para engoli-lo quando caísse, estavam nada mais nada menos do que seis onças tremendamente famintas.

Ele erguia a cabeça, olhava para cima e via o urso rosnando.

Abaixava depressa a cabeça para não perdê-la na sua boca.

Quando o urso dava uma folga, ouvia o urro das onças, próximas de seu pé.

As onças embaixo querendo comê-lo, e o urso em cima querendo devorá-lo.

Em determinado momento, ele olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com aquelas escamas douradas refletindo o sol.

Num esforço supremo, apoiou seu corpo, sustentado apenas pela mão direita e, com a esquerda, pegou o morango.

Quando pôde olhá-lo melhor, ficou inebriado com sua beleza.

Então, levou o morango à boca e se deliciou com o sabor doce e suculento.

Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso.

Talvez você me pergunte: “Mas, e o urso?”

Dane-se o urso e coma os morangos!

“E as onças?”

Azar das on ças, coma os morangos!

Às vezes, você esta em sua casa no final de semana com seus filhos e amigos, comendo um churrasco. Percebendo seu mau humor, sua esposa lhe diz:

“Meu bem, relaxe e aproveite o domingo!”

E você, chateado, responde:

“Como posso curtir o domingo se amanhã vai ter um monte de ursos querendo me pegar na empresa?”

Relaxe, como está na bíblia, e viva um dia por vez: coma o morango.

Problemas acontecem na vida de todos nós, até o último suspiro.

Sempre existirão ursos querendo comer nossas cabeças e onças, arrancar nossos pés.

Isso faz parte da vida e é importante saber comer os morangos, sempre.

A gente não pode deixar de comê-los só porque existem ursos e onças.

Você pode argumentar:

“Eu tenho muitos problemas para resolver.”

Problemas não impedem ninguém de ser feliz. Coma o morango, não deixe que ele escape.
Poderá não haver outra oportunidade de experimentar algo tão saboroso. Saboreie os bons momentos.

Sempre existirão ursos, onças e morangos. Eles fazem parte da vida.

Mas o importante é saber aproveitar o morango, porque o urso e a onça não dá para aproveitar.

Coma o morango quando ele aparecer. Não deixe para depois.

O melhor momento para ser feliz é agora. O futuro é ilusão que sempre será diferente do que imaginamos.

As pessoas vêem o sucesso como uma miragem.

Como aquela história da cenoura pendurada na frente do burro que nunca a alcança. 
As pessoas visualizam metas e, quando as realizam, descobrem que elas não trouxeram felicidade. Então, continuam avançando e inventam outras 
metas que também não as tornam felizes.

Vivem esperando o dia em que alcançarão algo que as deixará felizes. Elas esquecem que a felicidade é construída todos os dias.

A felicidade não é algo que você vai conquistar fora de você.

A felicidade é algo que vive dentro de você, de seu coração.

Oportunidade que você cria para ser o artista de sua autocriação.

Torço para que você descubra sua maneira de ser feliz.

Pai chora ao ler carta do filho

Com medo de ser rotulado de CARETA, filho acaba encontrando a morte nas drogas

Esta é uma carta de ADEUS de um jovem de 19 anos. O caso é verídico, aconteceu em um hospital de São Paulo.

Renata LombardiPAI, como eu gostaria de voltar atrás e seguir os teus conselhos e orientações! A minha rebeldia só me causou dor e sofrimento. Hoje, neste frio leito hospitalar e esperando a morte chegar, quero te revelar o nome de quem está me levando para o cemitério. Não sei como você vai receber este relato, mas preciso reunir todas as forças enquanto é tempo. Sinto muito, papai, acho que este diálogo é o último que tenho com o senhor. Sinto muito mesmo… Sabe pai, já passou da hora do senhor saber a verdade que nunca desconfiou.
Vou ser breve e claro… e bastante objetivo. O tóxico é o grande responsável pelo meu sofrimento e pela minha morte. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 anos de idade. É horrível, não, pai? Sabe como conheci essa desgraça? Foi através daqueles que eu considerava meus melhores amigos da escola e do bairro onde morávamos. Eu tentei recusar. Tentei mesmo, mas eles mexeram o com meu brio, dizendo que eu era CARETA… que eu não era homem… e etc.
Não é preciso dizer mais nada, não é, pai? Como não queria ser tachado de CARETA, acabei entrando para o terrível mundo das drogas. No começo, foi o devaneio… depois veio a tortura… a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Em seguida, veio a falta de ar… medo… as alucinações.
E, logo após a euforia do pico, novamente, eu me sentia mais gente que as outras pessoas. Então o tóxico, meu amigo inseparável, sorria de minha desgraça. Sabe, meu pai, quando a gente começa a usar drogas, acha que o mundo é ridículo e engraçado. Cheguei até a zombar de DEUS e a duvidar de Sua existência.
Mas hoje, no leito de um hospital, reconheço que DEUS é mais importante que tudo no mundo e que, sem a Sua ajuda, não estaria, agora, escrevendo esta carta. Pai, eu só estou com 19 anos; sei que não tenho a menor chance de viver. É muito tarde para mim! Mas ao senhor, meu pai, tenho um último pedido a fazer: mostre esta carta a todos os jovens que o senhor vier a conhecer. Diga-lhes que, em cada porta de escola… em cada cursinho de faculdade… em qualquer lugar, há sempre um grupo de falsos amigos e até namoradas(os), que irão lhes oferecer algum tipo de droga que poderá destruir também a saúde e a vida deles, como aconteceu comigo. Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais para eles. Perdoe me, pai… já sofri demais.
Perdoe-me, também, por fazê-lo sofrer com minhas loucuras e irresponsabilidade. ADEUS MEU PAI ! Algum tempo após escrever esta carta o jovem morreu.

Nada é permanente

Renata LombardiHavia um rei muito poderoso que tinha tudo na vida, mas sentia-se confuso. Resolveu consultar os sábios do reino e disse-lhes:

– Não sei por que sinto-me estranho e preciso ter paz de espírito. Preciso de algo que me faça alegre quando estiver triste e que me faça triste quando estiver alegre.

Os sábios resolveram dar um anel ao rei, desde que o rei seguisse certas condições:
– Debaixo do anel existe uma mensagem, mas o rei só deverá abrir o anel quando ele estiver num momento intolerável. Se abrir só por curiosidade, a mensagem perderá o seu significado. Quando TUDO estiver perdido, a confusão for total, acontecer a agonia e nada mais se puder fazer, aí o rei deve abrir o anel.

O rei seguiu o conselho. Um dia o país entrou em guerra e perdeu.

Houve vários momentos em que a situação ficou terrível, mas o rei não abriu o anel porque ainda não era o fim. O reino estava perdido, mas ainda podia recuperá-lo. Fugiu do reino para se salvar. O inimigo o seguiu, mas o rei cavalgou até que perdeu os companheiros e o cavalo. Seguiu a pé, sozinho, e os inimigos atrás; era possível ouvir o ruído dos cavalos. Os pés sangravam, mas tinha que continuar a correr. O inimigo se aproxima e o rei, quase desmaiado, chega à beira de um precipício. Os inimigos estão cada vez mais perto e não há saída, mas o rei ainda pensa:

– Estou vivo, talvez o inimigo mude de direção. Ainda não é o momento de ler a mensagem…

Olha o abismo e vê leões lá embaixo, não tem mais jeito. Os inimigos estão muito próximos, e aí o rei abre o anel e lê a mensagem:
“Isto também passará”.

De súbito, o rei relaxa. Isto também passará e, naturalmente, o inimigo mudou de direção. O rei volta e tempos depois reúne seus exércitos e reconquista seu país. Há uma grande festa, o povo dança nas ruas e o rei está felicíssimo, chora de tanta alegria e de repente se lembra do anel, abre-o e lê a mensagem:
“Isto também passará”.

Novamente ele relaxa, e assim obtém a sabedoria e a paz de espírito.

Em qualquer situação, boa ou ruim, de prosperidade ou de dificuldades, em que as emoções parecem dominar tudo o que fazemos, é importante que nos lembremos de que tudo é efêmero, de que tudo passará, de que é impossível perpetuarmos os momentos que vivemos, queiramos ou não, sejam eles escolhidos ou não.

A ansiedade, freqüentemente, não nos deixa analisar o que nos ocorre com objetividade. Nem sempre é possível, mesmo. Mas, em muitos momentos, precipitamos atitudes que só pioram o que queríamos que melhorasse, e é na esfera dos relacionamentos amorosos que isso ocorre quase sempre.

A calma, conforme o ditado popular, pode ser o melhor remédio diante daquilo que não depende de nós… Manter as emoções constantemente sob controle é pura fantasia e qualquer um já viveu a sensação de pânico ao perceber que o que mais se valoriza está escapando por entre os dedos.

“Dar tempo ao tempo” não é sintoma de passividade, mas de sabedoria na maior parte dos casos.

Arrume as gavetas

Renata LombardiUma vez li alguma coisa a respeito de uma garota que pedia para a sua avó a solução de um problema grave. A avó disse: “suba, arrume suas gavetas e após fazer isso você terá a solução”.

Experimentei perguntar para as pessoas mais velhas se realmente existe uma conexão e perguntei certa vez para a minha avó o que tinha a ver a gaveta com os problemas e ela muito sabiamente me falou que a gaveta desarrumada é o espelho da vida, então toda vez que você está com alguma coisa bagunçada, alguma área de sua vida manifesta bagunça. Toda vez que você está com alguma coisa desorganizada, essa desorganização se reflete na sua vida.

Lembre, você é um reflexo de Deus, um reflexo do universo. Você tem um mundo dentro de si. Sua casa é um reflexo de seus estados emocionais. Se você tem dentro de si reflexo do mundo, quando está desorganizado interiormente, manifesta isto exteriormente. 

Quando essa manifestação exterior veio antes, você pode reorganizar o seu mundo interno mostrando simbolicamente que está arrumando externamente.

O universo funciona assim: o que está dentro, está fora.O que está em cima, está embaixo.O que está de um lado, está de outro. Então se você lembrar sempre que pode influenciar o interior com o exterior e vice-versa, você tem a chave para a organização total.

No momento em que você limpa a sua gaveta e joga fora aquilo que não presta, está reprogramando simbolicamente o seu interior. É uma das melhores chaves para conseguir serenidade e respostas para problemas muito difíceis. Aproveite este Começo de Ano, e arrume suas gavetas. Com certeza vai ajudar você a encontrar solução para muitos de seus problemas.

O melhor de todos

Renata LombardiMeu dia começou a azedar quando vi meu menino de seis anos com um galho cheio de minhas azaléas.

– Posso levar estas flores para a escola? Ele pediu. Com um aceno de mão, eu o mandei para fora. Me virei para que ele não percebesse as lágrimas em meus olhos. Eu adoro aquela azaléa. Eu toquei no galho quebrado como que a dizer-lhe silenciosamente,

– Sinto muito. Para complicar um pouco mais o meu dia, a máquina de lavar quebrou e quando Jonathan perguntou o que eu faria para o almoço, percebi que estava com a geladeira vazia e não tinha muitas opções. Dias como este me fazem querer parar e desistir de tudo. Eu apenas queria fugir até as montanhas, me esconder em uma caverna e nunca mais colocar a cara para fora. De algum modo eu consegui arrastar a roupa molhada até o tanque. Eu passei a maior parte do dia lavando roupa e pensando em como o amor tinha desaparecido de minha vida. Quando eu terminei de pendurar a última das camisas de meu marido, olhei o relógio: duas e meia. Eu estava atrasada.

A aula de Jonathan terminava às 2:15. Fui correndo para a escola. Ofegante, bati na porta da sala e olhei através do vidro. A professora fez sinal para que eu esperasse. Ela disse algo a Jonathan e entregou para ele e para outras duas crianças, lápis de cera e uma folha de papel. O que virá agora? Eu pensei quando, através da porta, ela pediu que eu entrasse na sala.

– Quero lhe falar sobre o Jonathan. Ela disse. Me preparei para o pior. Nada mais me surpreenderia naquele dia.

– Você sabe das flores trazidas por Jonathan à escola hoje? Ela perguntou. Eu respondi que sim, lembrando de meu arbusto favorito e tentando esconder a mágoa em meus olhos. Eu olhei de relance para meu filho que estava ocupado colorindo um desenho. Seu cabelo ondulado estava muito comprido e caía em sua testa. Seus olhos azuis brilhavam enquanto admirava sua obra.

– Deixe-me contar sobre o que aconteceu ontem, a professora continuou. Está vendo aquela menina? Eu olhei para a menina que ria divertida, apontando um desenho na parede e assenti.

– Bem, ontem estava quase histérica. Seus pais estão atravessando um momento muito difícil, estão se divorciando. Ela disse que não queria mais viver. E disse bem alto, com o rosto escondido entre as mãozinhas, para toda a sala ouvir: “ninguém me ama”. Eu fiz tudo o que pude para consolar, mas parecia que nada mais importava.

– Eu achei que você queria me falar sobre Jonathan. Eu interrompi.

– Eu vou, ela disse. Hoje seu filho entrou e foi direto até ela. Ele entregou a ela algumas bonitas flores e sussurrou “eu te amo”. Senti meu coração inchar-se de orgulho com o que meu filho tinha feito. Eu sorri para a professora.

– Obrigada, eu disse, puxando Jonathan pela mão. – Você salvou o meu dia. Mais tarde, eu arrancava ervas daninhas em torno de meu desequilibrado arbusto de azaléa. Pensando no amor que Jonathan demonstrou pela menina, um verso bíblico me veio à memória: “… estes três permanecem: a fé, a esperança e o amor. Mas o maior de todos é o amor.”

Enquanto meu filho tinha colocado o amor na prática, eu tinha apenas sentido raiva. Eu ouvi o barulho familiar do carro de meu marido entrando na garagem. Eu arranquei um pequeno galho de azaléas e corri até ele. Eu senti a semente do amor que Deus plantou em minha família recomeçar a florescer em mim. Meu marido arregalou os olhos de surpresa quando eu lhe entreguei as flores e disse, – Eu te amo.

Aceita um pedaço?

Renata LombardiSerapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas da cidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira lata branco e preto que atendia pelo nome de Malhado. Serapião não pedia dinheiro. Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou um almoço feito com sobras de comida dos mais abastados.

Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa. Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras. Serapião era conhecido como um homem bom, que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. Não bebia bebida alcoólica, estava sempre tranqüilo, mesmo quando não havia recebido nem um pouco de comida. Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que Deus determinava, alguém lhe estendia uma porção de alimentos.

Serapião agradecia e rogava a Deus pela pessoa que o ajudava. Tudo que ganhava, dava primeiro para o Malhado, que, paciente, comia e ficava a esperar por mais um pouco. Não tinham onde dormir, onde anoiteciam, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo embaixo da ponte do ribeirão Bonito e, ali o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte.

Aquela figura me deixava sempre pensativo, pois eu não entendia aquela vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor que Serapião levava. Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas fui bater um papo com o velho Serapião. Iniciei a conversa falando do Malhado, perguntei pela idade dele, o que Serapião, não sabia. Dizia não ter idéia, pois se encontraram um certo dia quando ambos andavam a toa pelas ruas. – Nossa amizade começou com um pedaço de pão – disse o mendigo. Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço e ele agradeceu abanando o rabo, e daí, não me largou mais. Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.

– Como vocês se ajudam? Perguntei.

– Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar perto que ele late e ataca. Também quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode. 
Continuando a conversa, perguntei:

– Serapião, você tem algum desejo de vida?

– Sim – respondeu ele – tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.

– Só isso? Indaguei. – É, no momento é só isso que eu desejo.

– Pois bem, vou satisfazer agora esse grande desejo. Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo. Voltei e lhe entreguei. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o Malhado, e comeu o pão com os temperos. Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço.

– Por que você deu para o Malhado logo a salsicha? Perguntei intrigado. Ele, com a boca cheia, respondeu:

– Para o melhor amigo, o melhor pedaço. E continuou comendo, alegre e satisfeito. Despedi-me do Serapião, passei a mão na cabeça do Malhado e saí pensando com meus botões: Aprendi alguma coisa hoje. Como é bom ter amigos. Pessoas em que possamos confiar. E saber reconhecer neles o seu real valor, agindo em consonância. Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação de ser reconhecido como tal. Jamais esquecerei a sabedoria daquele eremita.

PARA O MELHOR AMIGO O MELHOR PEDAÇO…