Brasília e o destino dos povos

Paiva Netto

 

paiva-netto_foto-oficialNo domingo, 21 de abril, Dia de Tiradentes, Brasília completou 53 anos. O Brasil é reconhecidamente uma nação mestiça, em que há espaço para todos conviverem em harmonia. É natural que Brasília carregue em si o simbolismo dessa representação.

O Templo da Boa Vontade, cujas portas abri em 21/10/1989, é igualmente um brado diário dessa consciência de Paz. O destino dos povos é o Ecumenismo Total. Assim caminham os seres humanos, apesar dos pesares.

 

APRENDIZADO INFINITO

No artigo anterior, trouxe-lhes um trecho da entrevista do dr. Marco Antonio Zito Alvarenga, advogado criminalista e presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo (CPDCN), na Boa Vontade TV (canal 23 da SKY). Ele destacava a educação no findar do racismo, pelo conhecimento do valor da cultura negra na formação de nosso país.

Tendo em vista a importância do ensino e da diversidade de seu conteúdo que ilumina as mentes, recordo que ao anunciar, em 25 de janeiro de 1986, quando da inauguração da Supercreche Jesus, em São Paulo, o advento do Instituto de Educação Boa Vontade, também na capital bandeirante, resumi em poucas palavras sua filosofia de trabalho: Aqui se estuda. Formam-se Cérebro e Coração. Trata-se da Pedagogia de Deus, que é Amor, a qual prepara o indivíduo para viver a Cidadania Ecumênica, firmada no exercício pleno da Solidariedade Espiritual, Humana e Social. Daí há tanto tempo afirmar que é urgente difundir a Pedagogia do Amor, do Carinho, do Afeto, da Misericórdia, da Justiça, a Pedagogia do Cidadão Ecumênico. Elas são suplementares e imprescindíveis ao sustento da Alma. Medicamentos energéticos para a cura de enfermidades, a começar pelas psíquicas, que prejudicam a absorção das lições necessárias ao enriquecimento intelectual e moral dos estudantes, que não constituem apenas os que frequentam as escolas, porquanto o simples fato de viver é constante ensinamento. O bom gosto da vida é o aprendizado infinito.

 

“CULTURA PELA PALAVRA”

O músico Gilberto Gil e o sociólogo Juca Ferreira lançaram no Rio de Janeiro/RJ, no dia 9 de abril, o livro “Cultura pela palavra”.

A obra, organizada por Armando Almeida, Maria Beatriz Albernaz e Mauricio Siqueira, é composta de artigos, entrevistas e discursos dos ex-ministros da Cultura Gilberto Gil e Juca Ferreira no período em que comandaram a pasta.

Grato pelas dedicatórias que recebi dos autores: “Palavras ditas e escritas para ajudar o desenvolvimento cultural do país, Juca Ferreira”; e, “Paiva Netto, um pouco do nosso texto ministerial, com carinho, Paz! Gilberto Gil”.

 

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brhttp://www.boavontade.com

Autismo e desafios da inclusão

Paiva Netto

LBV, Rio-92 e os desafios da Rio+20Para ampliar a conscientização de todos, alguns temas devem estar sempre em pauta. Um deles é o autismo, que atinge mais de dois milhões de brasileiros, conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

O diagnóstico precoce pode fazer enorme diferença no desenvolvimento do indivíduo. Este, ainda que seja portador de limitação física ou psíquica, possui a extraordinária capacidade para se adaptar e alcançar importantes objetivos de vida. O mundo está repleto de exemplos. O que falta às vezes é o devido investimento no Capital de Deus, ou seja, na própria criatura humana.

SINTOMAS E CUIDADOS

Alguns autistas apresentam determinadas habilidades que superam as da média da população. “Eles têm bastante facilidade para números, decorar, resolver expressões matemáticas e para várias questões diferenciadas da vida. Mas não conseguem dar funcionalidade a isso”, explica a assistente social Simone Bruschi.

Um ponto que prejudica o acompanhamento especializado do autista é, num primeiro momento, a negação do problema, situação frequente no seio familiar. Simone, integrante da Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social (Abads), em entrevista ao programa “Sociedade Solidária”, da Boa Vontade TV (canal 23 da SKY), comenta: “Quando falamos do autismo, abordamos algo que não se pode identificar por exame de sangue, eletroencefalograma, tomografia. E o diagnóstico é muito difícil de ser aceito pela família. Existe a avaliação clínica — que é muito rica —, porém, os familiares sempre questionam: ‘Ah, não. Acho que pode ser algo diferente’”.

Nesses casos, de acordo com Simone, devem-se buscar outros profissionais, inclusive para que também eles se envolvam na vida dessa família, dessa criança ou desse adolescente.

É fundamental procurar um especialista ao perceber na criança qualquer indício constante de preferir ficar sozinha, de apatia diante dos brinquedos, de não reclamar por ser deixada no berço, em vez do colo dos pais. “Existem famílias que só começam a levar para o tratamento na idade escolar, quando o professor sinaliza: ‘Olha, o seu filho precisa de auxílio’. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as possibilidades de tratamento.”

Simone ressalta que “algumas pessoas com autismo podem apresentar uma deficiência intelectual, mas não é necessariamente uma regra”.

E aí entra um desafio, o de inserir no mercado de trabalho portadores de deficiência intelectual. “É mais fácil — não sei se posso usar essa expressão — contratar um jovem com deficiência física, por conta das acessibilidades existentes, do que alguém com deficiência intelectual, para o que não temos ainda a tecnologia assistiva. Por isso, é um desafio para o consultor de emprego apoiado. Ele tem de ir à empresa e provar que a pessoa com transtorno é capaz. É necessário um trabalho de sensibilização tanto com os empregados e colaboradores quanto com os empregadores e a família”.

É preciso ampliar as condições para a inclusão social dos portadores de qualquer deficiência, seja física, seja intelectual.

23 ANOS IRRADIANDO PAZ


No dia 20/10, sábado passado, tive a honra de comandar a sessão solene dos 23 anos do Templo da Boa Vontade, em Brasília/DF. Milhares de peregrinos vindos de várias partes do Brasil e exterior superlotaram os ambientes do Templo da Paz e do ParlaMundi da LBV.

O tema desse ano foi “O Mistério de Deus Revelado”, numa alusão ao Apocalipse de Jesus, 10:7. Dentre os assuntos abordados, apresentei trechos de minha obra: “Jesus, a dor e a origem de Sua Autoridade”, que em breve lançarei.

O crack e a mulher

Paiva Netto

Conforme recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas viciadas em crack no Brasil ultrapassa a impressionante marca de um milhão de usuários. Especialistas em saúde comparam a epidemia da aids na África à do crack em nosso país. Outro dado alarmante é a média de idade dos que o experimentam pela primeira vez: 13 anos. Contudo, engana-se quem acha que somente as camadas da sociedade em situação de pobreza estão à mercê desse perigo mortal. A droga também se faz presente nas classes sociais mais abastadas de modo devastador.

O desastroso abalo físico e mental provocado pela pedra de crack é disparado na primeira ocasião em que se acende o cachimbo artesanal — poderia se dizer infernal —, pois não arruína apenas a vida do usuário, mas a de toda a família. A ilusória sensação de bem-estar e de euforia fica tragicamente evidenciada pela progressiva degradação do corpo e da Alma dos dependentes.

Segundo a dra. Solange Nappo, pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), “no início da entrada do crack no Brasil, mais precisamente em São Paulo/SP, o perfil do usuário era do sexo masculino. A presença de mulheres era pontual, algo raro. No princípio da década de 2000, começamos a receber indicativos e informações dos próprios usuários de que as mulheres aderiram à cultura do uso do crack”.

Em entrevista ao programa “Sociedade Solidária”, transmitido pela Boa Vontade TV (canal 23 da SKY), a dra. Solange comentou que o fato de a mulher transformar-se em consumidora do entorpecente mudou toda a dinâmica do vício. “O usuário masculino tornou-se, em geral, um transgressor. Ele rouba para comprar a pedra. Não é um profissional do crime. Diante disso, com sua inexperiência, é facilmente preso e acaba criando um problema para o tráfico, que perde um cliente em potencial, na maioria das vezes já devedor da droga que consome. Quando a mulher é inserida no submundo do crack, ela passa a ser linha de frente, pois o risco de ser presa é bem menor. Ao invés de roubar, ela vai vender o seu corpo”, explicou.

 

CONTAMINAÇÃO PELO HIV

Para agravar a situação, a mulher, ao se prostituir a fim de conseguir a droga, vira foco de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente do vírus HIV.

Sobre isso, esclareceu a dra. Solange: “Uma mulher que faz programa por conta da compulsão pela droga o faz sem proteção, a qualquer hora e em qualquer lugar. Não fica num local aguardando que alguém passe. Ela vai em busca desse parceiro na tentativa de que ele, rapidamente, lhe dê o dinheiro que lhe possibilitará comprar a pedra de crack. Sem falar das que ficam grávidas sem nenhuma estrutura para ser mãe. Essa situação de vulnerabilidade traz para a mulher complicações físicas, psíquicas e orgânicas de todos os tipos. Quando a mulher entra nessa cultura, traz com ela um problema social enorme. De um grupo de 80 mulheres que entrevistamos, pelo menos 40% delas  eram portadoras do HIV”.

Grato, dra. Solange, pelas elucidações. É uma triste realidade que não pode ser ignorada. Além das imprescindíveis políticas públicas de combate ao crack, urge fortalecer, com a Espiritualidade Ecumênica, os valores da Família. É nela que se encontra a solução de muitos problemas que hoje afligem a Humanidade.

 

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

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