O QUE É A DEPRESSÃO: SINTOMAS E CAUSAS…

Eu ouvi DeusSentir-se abatido de tempos em tempos é algo normal que faz parte da vida. Mas quando o vazio e o desespero tomam conta do seu dia-a-dia, tornando-se permanente, afetando-lhe a motivação  e o sentido da vida, pode ser depressão. Mais do que apenas o humor diminuído, os pontos baixos da depressão podem afectar-lhe a sua funcionalidade e deixar de ter prazer na vida, como anteriormente tinha. Deixa de se interessar pelos amigos, família, lazer, hoobies, trabalho, saúde, você sente-se esgotado o tempo todo, e só aguentar o passar do dia pode ser avassalador.Quando você está deprimido, as coisas podem parecer-lhe inúteis, sem sentido, mas com ajuda e apoio você pode ficar melhor e pouco a pouco sair dessa tormenta. Mas primeiro é importante que você perceba algumas coisa acerca da depressão. Aprender sobre a depressão, e como lidar com a depressão, incluindo a identificação dos seus sinais, sintomas, causas e tratamento é o primeiro passo para superar o problema.

A questão da depressão é uma área complexa, mas é uma área que tem vindo a crescer no esclarecimento do seu tratamento. Quase todos os dias novas informações são transmitidas, ajudando na orientação do nosso conhecimento e o que fazer. Independentemente das várias formas de intervenção e das diferentes respostas ao tratamento por parte das pessoas que sofrem com o problema da depressão, ainda assim a grande maioria pode e consegue aprender como reduzir de forma significativa os seus níveis de depressão ou até mesmo um alívio total da angustia provocada por este terrível problema. As pessoas que podem obter grande alívio da depressão inclui todas aquelas que pensam que nunca irão conseguir ultrapassar os seus problemas pessoais e que consequentemente a sua depressão irá durar para sempre.

O QUE É A DEPRESSÃO?

Todos nós sentimos e passamos por altos e baixos no nosso humor. A tristeza é uma reação normal às situações de vida, tais como lutas, zangas, perdas, derrotas e decepções. Muitas pessoas usam a palavra “depressão” para explicar estes tipos de sentimentos, mas a depressão é muito mais do que tristeza. Algumas pessoas descrevem a depressão como “viver num buraco negro” ou ter um sentimento de desgraça constante. No entanto, algumas pessoas deprimidas não se sentem tristes por tudo, em vez disso, sentem-se sem significado na vida, como se a vida fosse vazia e apática.

Seja qual for o sintoma, a depressão é diferente da tristeza normal ou da simples desmotivação, na medida em que anula o seu dia-a-dia, interferindo com a sua capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e divertir-se. Os sentimentos de desamparo, desesperança, inutilidade são intensos e implacáveis, com pouco ou nenhuma alívio.

EM QUE É QUE A DEPRESSÃO DIFERE DA TRISTEZA OCASIONAL?

Enquanto todos nós, ocasionalmente, podemos ficar tristes ou “em baixo”, normalmente estes sentimentos tendem a passar muito rapidamente. Por outro lado, alguém com depressão tem experiências de extrema tristeza ou desespero, que dura pelo menos duas ou mais semanas. Os indivíduos deprimidos tendem a sentir-se impotentes e sem esperança culpando-se por terem esses sentimentos. O sentimento de culpa é muito vincado. A depressão interfere com as atividades da vida diária, tais como trabalhar ou concentrar-se em tarefas, ou mesmo comer e dormir. Outros possíveis sintomas da depressão incluem dores crônicas, dores de cabeça ou dores de estômago. Algumas pessoas podem sentir-se irritadas ou agitadas por longos períodos.

As pessoas que estão deprimidas podem sentir-se oprimidas e exaustas deixando completamente de participar em certas atividades quotidianas. Elas podem deixar de se interessar por assuntos relacionados com a família e amigos. Deixam de se importar com as suas vidas. Perdem o sentido de futuro, deixam de ter prazer nas coisas que anteriormente lhe eram significativas. A pessoa deixa de acreditar que consegue dar a volta à situação e por consequência deixa de fazer planos para o futuro. Alguns indivíduos deprimidos podem chegar a ter pensamentos de morte ou suicídio como já referi anteriormente. Esta parece-lhe ser uma solução para os seus problemas, mas na verdade não passa de um erro de raciocínio. Um conjunto de caminhos deturpados pela condição em que a pessoa se encontra.

VOCÊ ESTARÁ A SOFRER DE DEPRESSÃO?

Se você se identifica com vários dos seguintes sinais e sintomas, não sentido nenhuma diminuição de dia para dia, você pode estar a sofrer de depressão clínica:

  • Você não consegue dormir ou dorme em excesso.
  • Você tem dificuldades de concentração, ou sente que algumas das tarefas que fazia facilmente são agora um tormento.
  • Você sente-se desesperançado e desamparado.
  • Você não consegue controlar os seus pensamentos negativos por mais que se esforce.
  • Você perdeu o apetite ou não consegue parar de comer.
  • Você está muito mais irritadiço e com humor diminuído do que é habitual.
  • Você tem pensamentos de que não vale a pena viver (se for o caso procure ajuda imediata).

SINAIS E SINTOMAS DA DEPRESSÃO

A depressão varia de pessoa para pessoa, mas há alguns sinais e sintomas que são comuns. É importante lembrar que esses sintomas podem ser parte de algumas dificuldades normais da vida. Mas quanto mais sintomas você tem, mais fortes eles ficam, mais tempo eles duram, o mais provável é que você esteja a sofrer com incapacidades ligadas à depressão. Quando estes sintomas são esmagadores e incapacitantes, é quando é hora de procurar ajuda.

Sinais e sintomas comuns da depressão:

  • Sentimentos de desamparo e desesperança. Um panorama desolador, pensa que nunca mais nada irá ficar melhor e que independentemente dos seus esforços, não há nada que você possa fazer para melhorar sua situação.
  • Perda de interesse nas atividades diárias. Falta de interesse nos passatempos anteriores, lazer, atividades sociais, ou sexo. Você perdeu a sua capacidade de sentir alegria e prazer na vida.
  • Alterações no apetite ou no peso. Significativa perda de peso ou ganho de peso com uma alteração em mais de 5% do peso corporal num mês.
  • Alterações do sono. Ou insônia, especialmente acordar nas primeiras horas da manhã, ou dormir demais (também conhecido como hipersonia).
  • Irritabilidade ou inquietação. Sente-se agitado, e inquieto. O seu nível de tolerância à frustração é baixo, tudo e todos lhe provoca nervos.
  • Perda de energia. Sente-se cansado, lento, e fisicamente esgotado. Todo o seu corpo pode sentir-se pesado e até mesmo pequenas tarefas são difíceis de realizar ou a demorar mais tempo para serem concluídas.
  • Auto-aversão. Fortes sentimentos de inutilidade ou culpa. Você critica-se duramente a si mesmo por falhas percebidas e erros.
  • Problemas de concentração. Dificuldade para se concentrar, tomar decisões, ou lembrar as coisas.
  • Dores inexplicáveis. Um aumento do número de queixas físicas, como dores de cabeça, dores nas costas, dores musculares e dor de estômago.

DEPRESSÃO E SUICÍDIO

A depressão apresenta-se como um elevado fator de risco para o suicídio. O desespero e a desesperança que se manifesta junto com a depressão pode levar a pensamentos  sobre o suicídio, a pessoa sente que colocar término à vida é  a única maneira de escapar à dor. Pensamentos de morte ou suicídio são um sintoma grave de depressão, por isso qualquer conversa ou comportamento que dê indícios dessa possibilidade deverá ser levado a sério. Normalmente não é apenas um sinal de alerta que a pessoa está a transmitir: é um grito de socorro.

Os sinais de alerta para o suicídio incluem:
  • Falar em morrer ou prejudicar-se a si mesmo
  • Expressar sentimentos fortes de desespero ou de se sentir encurralado
  • Uma preocupação incomum com a morte ou em morrer
  • Comportar-se de forma imprudente, como se tivesse um desejo de morte (por exemplo, excesso de velocidade , passar no sinal vermelho)
  • Querer telefonar ou visitar algumas pessoas para dizer adeus
  • Verbalizar frases como “As pessoas ficariam melhor sem mim”ou “qualquer dia acabo com isto tudo.”
  • Mudança repentinas mudando de um comportamento extremamente deprimido para agir de forma calma e alegre

Atenção: Se você acha que um amigo ou algum membro da sua família está pensando em suicídio, manifeste a sua preocupação e procure ajuda profissional imediatamente. Falar abertamente sobre pensamentos suicidas e sentimentos podem salvar uma vida.

Muito importante: Se você está a sentir pensamentos suicidas, pode muito provavelmente ser um sintoma da depressão. Quando você está se sentindo extremamente deprimido ou suicida, os problemas parecem ser esmagadores e permanentes. Mas com o tempo, você pode conseguir sentir-se melhor, especialmente se você procurar ajuda. Se estiver a ter pensamentos sobre a morte, pondere. Certamente existem muitas pessoas que querem apoiá-lo durante este momento difícil, por isso, não hesite e peça ajuda! Ou em último caso telefone para a linha de emergência do seu país: 112 (Portugal), 911 (Brasil).

DEPRESSÃO É COISA SÉRIA

A depressão é um distúrbio da emoção que afeta o corpo, o humor e o pensamento; diminuem o apetite e afeta o sono, a forma como a pessoa se sente e como pensa. Não é uma tristeza passageira, não é sinal de fraqueza das pessoas ou uma condição que possa ser revertida com força de vontade. A difícil convivência com um depressivo não é tão conhecida como deveria. Muitos de nós temos a convicção de que a depressão não é uma doença tão grave e maléfica. O dicionário Aurélio a define como “o ato de deprimir-se; abatimento moral ou físico”. Alguns acham que depressão é doença de pessoas frágeis e cheias de problemas psicológicos e outros acham que é doença de rico, como dizem que é a enxaqueca. Outros ainda pensam que não é difícil de ser curada. Muitos acham que com uma consulta a um bom psicologo ou a um psiquiatra, resolve-se facilmente o problema.

Mas não é assim. Não é algo simples e corriqueiro. É muito difícil ajudar um depressivo. Qualquer contrariedade, por menor que seja, é encarada como uma tragédia que abate grandemente o ânimo da pessoa levando-as, na maioria das vezes, ao destempero e irritação profunda. E a pessoa assume sempre em todos os momentos e acontecimentos do dia a dia a posição de vítima, perseguida, menosprezada, humilhada e desconsiderada. Qualquer atitude que não seja de absoluto amor, carinho e consideração para com ela, a agride desagradando-a profundamente. Com essas atitudes intensamente negativas em relação a si mesma e aos outros, ela estabelece uma barreira invisível que a circunda e ninguém que conviva ou se relacione com ela, consegue estabelecer uma convivência normal e sadia, impedidos que ficam de ultrapassar esta barreira. Manifesta-se nela uma extrema repulsa e desconfiança de tudo e de todos. E, por caraterística da própria doença, o deprimido busca sempre o lado ruim das pessoas e quando não o encontra ele o cria, através de suas atitudes de extremo mau humor e desespero.
No relacionamento com uma pessoa que sofre desse mal, não devemos culpá-la em hipótese alguma por suas atitudes e reações erradas, do mesmo modo que não podemos culpar um doente por sua doença e nem nutrirmos antipatia contra ele. Odiar o doente pelo fato de estar doente não é uma atitude inteligente e lúcida e nem civilizada. Um doente precisa de remédios, ajuda, tratamento e muitas vezes de respeito, carinho e amor, principalmente quando se trata de um amigo, um parente ou um cônjuge. Até por que qualquer atitude diferente destas, agravará o estado do doente, e, em se tratando de um depressivo, afetará toda a convivência familiar, surgindo daí, mais aborrecimentos e contrariedades.
É preciso exercitar ao extremo a paciência, o que não será tão difícil se o doente for uma pessoa da qual gostamos ou amamos, como acontece via de regra. E se não for, essa mesma paciência é imprescindível, para que prevaleça um bom relacionamento do doente, com todos os quais se relaciona.
Desta atitude surgirá então mais compreensão, mais aceitação dos infortúnios por parte do depressivo, por suas próprias falhas e erros, os quais também nós cometemos como qualquer pessoa normal. Afinal, ninguém é perfeito. A prática permanente desse modo de conviver com um depressivo, poderá trazer grandes alegrias ao próprio doente e aos que com ele convivem, na medida em que atitudes inteligentes e solidárias sejam tomadas em seu favor pelos que o cercam.
Estou convencido de que muito mais do que assistência médica e uso de remédios – que são imprescindíveis – o depressivo precisa de compreensão, carinho e apoio – mesmo quando está errado – das pessoas  mais próximas do seu relacionamento. A vida é uma sucessão de experiências boas e más e precisamos compreender que o depressivo age do modo que age não por iniciativa dele mesmo ou por ato da sua vontade, mas em consequência de sua doença. Ele é uma vítima indefesa que precisa de ajuda, e ao perceber que essa ajuda não vem, se desespera e propicia mais combustível para o fogo destruidor do mal que o acomete.
Nenhum doente carece mais da compreensão das pessoas do que o depressivo, por que ele não depende exclusivamente dos remédios mas sim de amigos incondicionais que estejam dispostos a dar de sí sem esperar que se lhes dê razão. Este tipo de relacionamento pode ser mais bem definido pela palavra amor. É fundamental na recuperação do depressivo que ele sinta que é amado e compreendido mesmo quando está errado, diferentemente de todas as doenças, pois o seu mal é muito mais de origem psicológica do que física. É preciso devolver-lhe a confiança mostrando-lhe que ele não está só, que existem pessoas que o amam e se preocupam com ele.
Agindo assim, esta doença tão comum nos dias de hoje, poderá ser vencida. Mas, não se pode negar que o caminho é muito difícil e cheio de percalços, idas e vindas, exigindo por isso mesmo, paciência, desprendimento e muita determinação. Tudo isso mesclado com muito, muito amor.