Quando…

Renata LombardiQuando as horas de desgosto e desalento invadirem-lhe a alma e as lágrimas aflorarem em seu olhos, lembre-se das palavras mansas do Cristo, convidando-nos ao Seu regaço… 
 
E quando sentir-se incompreendido pelos que o circundam, e perceber que a indiferença ronda à sua volta, acerque-se dEle: Ele é a Luz, sob cujos raios se aclaram a pureza de suas intenções e a nobreza de seus sentimentos. 
 
Quando o ânimo para suportar as vicissitudes da vida se extinguir e você estiver prestes a desfalecer, chame-O: Ele é a Força capaz de remover as pedras dos caminhos e ajudá-lo a superar as adversidades do mundo. 
 
Quando os vendavais o açoitarem e você já não souber onde reclinar a cabeça, corra para junto dEle: Ele é o Refúgio Seguro, em cujo seio você encontrará guarida para o seu corpo e tranqüilidade para o seu espírito. 
 
Quando lhe faltar a calma nos momentos de maior aflição e você se considerar incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoque-O: Ele e a Paciência, que lhe faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar das situações mais difíceis. 
 
Quando as dores se abaterem sobre seu corpo e você sentir a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grite por Ele: Ele é o Bálsamo que cicatriza as chagas e minora os padecimentos. 
 
Quando o mundo o iludir com promessas falsas e você perceber que ninguém pode lhe inspirar confiança, vá a Ele: Ele é a Sinceridade, que sabe corresponder à franqueza de suas atitudes e à nobreza de seus ideais. 
 
Quando a tristeza e a melancolia se acercarem do seu coração e tudo lhe causar aborrecimento, clame por Ele: Ele é a Alegria que lhe insufla um alento novo e o faz conhecer os encantos de seu mundo interior. 
 
Quando, um a um, fenecerem os ideais mais belos e você se sentir no auge do desespero, apele para Ele: Ele é a Esperança que lhe robustece a fé e lhe acalenta os sonhos. 
 
Quando a impiedade se revelar e você experimentar a dureza do coração humano, procure-O Ele é o Perdão, que levanta-lhe o ânimo e promove a reabilitação de seu espírito. 
 
Quando você duvidar de tudo, até de suas próprias convicções, e a descrença lhe tomar a alma, recorra a Ele: Ele é a Fé, que inunda-lhe de luz e entendimento e o habilita para a conquista da felicidade. 
 
Quando você não puder sentir a sublimidade de uma afeição terna e sincera e a desilusão lhe tomar de assalto, aproxime-se dEle: Ele é a Renúncia, que lhe ensina a esquecer a ingratidão dos homens e a incompreensão do mundo. 
 
E quando, enfim, quiseres saber quem é esse Alguém tão especial que é Luz, Renúncia, Força, Refúgio Seguro, Paciência, Bálsamo, Sinceridade, Alegria, Esperança, Perdão e Fé, busque conhecer a Boa Nova do Cristo. 
 
Você encontrará em suas páginas o suave convite do Mestre para que O busquemos todas vezes que sentirmos necessidade de Sua ajuda. 
 
Pense nisso! 
 
Jesus é a luz do mundo, só se debate nas trevas aquele que dEle se afasta. 
 
Jesus é bom pastor, somente se perde a ovelha rebelde que não aceita Suas orientações amorosas e sábias. 
 
Jesus é o caminho, só se demora nos labirintos sombrios quem dEle se desvia. 
 
Jesus é a verdade, só se equivoca aquele que ignora Seus ensinamentos. 
 
Jesus é a vida, só duvida da imortalidade quem desconhece a Sua ressurreição gloriosa diante dos 500 da Galiléia.

O que nossos pensamentos determinam

Renata LombardiMarco Aurélio, o grande filósofo que dirigiu o Império Romano, resumiu em nove palavras aquilo que define nosso destino na vida: 
 
Nossa vida é o que os nossos pensamentos determinam. 
 
Inspirado nesta afirmativa, o estudioso Dale Carnegie acrescenta que se tivermos pensamentos felizes, seremos felizes. 
 
Se pensarmos em coisas que nos causam medo, seremos medrosos. Se pensarmos em doenças, provavelmente ficaremos doentes. 
 
Se pensarmos no fracasso, fracassaremos, com toda certeza. Se nos entregarmos à autopiedade, todos irão querer nos evitar, afastar-se de nós. 
 
Normam Vincent Peale afirmou: você não é o que você pensa que é. Mas o que você pensa, você é.
 
Tudo isso se resume na ideia de uma atitude positiva perante a vida. Devemos nos interessar por nossos problemas, mas não nos preocuparmos com eles. 
 
Há uma grande diferença entre uma e outra postura. 
 
Interessar-se significa procurar compreender como são as coisas e tomar calmamente as medidas necessárias para enfrentá-las. 
 
Preocupar-se significa dar voltas em círculos inúteis e enlouquecedores. Significa sofrer antes e ser dominado pelo medo. 
 
Tais posturas são determinadas pelo pensamento, simplesmente. 
 
Desta forma, o pensamento poderá determinar se seremos felizes ou infelizes, independente de onde estejamos, independente das condições de vida que temos. 
 
Napoleão Bonaparte e Helen Keller podem ser bons exemplos que atestam tais afirmações. 
 
Napoleão dispunha de tudo que os homens habitualmente almejam – glória, poderio, riqueza -, e, não obstante, disse, em seu exílio, na ilha de Santa Helena: Não conheci jamais seis dias de felicidade em minha vida. 
 
Helen Keller – cega, surda, muda – todavia, declarou: Considerei a vida tão bela! 
 
Reflitamos sobre tal comparação. 
 
Como viveram os dois personagens? Que postura mental apresentou cada um deles diante das adversidades? 
 
O filósofo grego Epiceto advertiu-nos que devemos nos preocupar mais em afastar da mente os maus pensamentos do que remover tumores e abscessos do nosso corpo. 
 
E a medicina moderna vem comprovando, dia após dia, que a grande fonte das enfermidades está na postura mental, na qualidade do nosso pensar. 
 
Por isso a importância de perceber que nossa vida é o que nossos pensamentos determinam e que vigiando, cuidando do pensar, viveremos muito melhor. 
 
* * * 
 
Emerson, na parte final de seu ensaio sobre a confiança em nós mesmos, diz: 
 
Uma vitória política; um aumento em suas rendas; a recuperação de uma enfermidade; o regresso de um amigo ausente; ou outro qualquer acontecimento exterior, anima-lhe o Espírito e você pensa que lhe estão reservados dias felizes. 
 
Não o creia. Jamais pode ser assim. Nada, a não ser você mesmo, pode trazer-lhe paz.

A questão do tempo

A questão do tempoO vestibulando chega correndo ao local da prova, mas o portão se fecha à sua frente. Ele senta e desaba. 
 
Tanto esforço. Tanta preparação. Tanto estudo. Tudo perdido por um atraso mínimo de segundos. 
 
O pedestre observa o sinal vermelho, mas decide atravessar correndo porque está atrasado para um compromisso. 
 
Freada brusca. Susto. Talvez ferimentos graves. Tudo por questão de um segundo de precipitação. 
 
O funcionário chega correndo, esbaforido, bate o cartão e vai para seu local de trabalho. 
 
Ali, precisa de alguns minutos para se recompor. Subiu as escadas correndo, porque os elevadores estavam lotados e ele não desejava se atrasar, a fim de não ter descontados valores ao final do mês em seu salário. 
 
Desculpas se sucedem a desculpas. Não deu tempo. Não foi possível chegar. Perdi o ônibus. O trânsito estava terrível na hora em que saí. 
 
Tempo é nossa oportunidade de realização, que devemos aproveitar com empenho. 
 
A nossa incapacidade de planejar o tempo provoca a desarmonia e toda a série de contratempos. 
 
O tempo pode ser comparado a uma moeda. Se tomarmos de uma porção de ouro e cunharmos uma moeda, poderemos lhe dar o valor de um real. 
 
Este será o valor inscrito mas o valor verdadeiro será muito maior, representado pela quantidade do precioso metal que utilizamos. 
 
As moedas do tempo têm uma cunhagem geral, que é igual para todos: um segundo, um mês, um ano, um século. Mas o valor real dependerá do material com que cunhamos o nosso tempo, isto é, o que fazemos dele. Para um correto aproveitamento desse tesouro que é o tempo, é preciso disciplina. 
 
Para evitar correria, levantemos um pouco mais cedo. Preparemo-nos de forma mais rápida, sem tanta “enrolação”. 
 
Deixemos, desde a véspera, o que necessitaremos para sair, mais ou menos à mão, evitando desperdícios de minutos a procura disto ou daquilo. 
 
Se sabemos que o trânsito, em determinados horários, está mais congestionado, disciplinemo-nos e nos programemos para sair um pouco antes, com folga. 
 
Esses pequenos cuidados impedirão que percamos compromissos importantes, que tenhamos de ficar sempre criando desculpas para justificar os nossos atrasos, que tenhamos taquicardia por ansiedade ao ver o relógio dos segundos correr célere, demarcando os minutos e as horas. 
 
*** 
 
Na órbita das nossas vidas, não joguemos fora os tempinhos tantas vezes desprezados. 
 
Aproveitemos para escrever um ligeiro bilhete de carinho a alguém que esteja enfrentando momentos graves. 
 
Telefonemos a um familiar ou amigo que não vejamos há muito tempo. 
 
Cuidemos de um vaso de planta. Desenvolvamos idéias felizes para fazer o bem a alguma pessoa que saibamos necessitada. 
 
Valorizemos os minutos para descobrir motivos gloriosos de viver, para aprender a amar a vida e iluminar o nosso caminho.

Para que serve o casamento?

Para que serve o casamento?Você já se perguntou alguma vez sobre os objetivos do casamento? 
 
Sim, porque algum objetivo o Criador deve ter para fazer da união de dois seres uma lei da natureza. 
 
Talvez, refletindo superficialmente você responda que o objetivo do casamento é a perpetuação da espécie humana. Mas será só isso? 
 
Na verdade, o casamento marca grande progresso na marcha evolutiva da humanidade. 
 
E, por quê? 
 
Porque Deus visa não somente a procriação, mas também a evolução moral dos seres. 
 
É assim que o casamento se constitui numa excelente oportunidade de crescimento para aqueles que sabem aproveitá-la bem. 
 
Quando duas pessoas resolvem, de comum acordo, viver sob o mesmo teto, desde logo terão chances de melhoria individual. E a primeira delas é vencer o egoísmo. 
 
Sim, porque o que antes era “meu”, agora passa a ser “nosso”. 
 
Antes de casar, era o “meu” quarto, o “meu” carro, o “meu” aparelho de som, o “meu”… O “meu”…
 
No primeiro dia de convivência mútua, deverá ser o “nosso” quarto, o “nosso” carro, o “nosso” aparelho de som, e assim por diante. 
 
Com o passar dos dias os pares vão se conhecendo melhor, e percebem que o outro não era bem aquilo que parecia ser. 
 
Bem, nosso par tem algumas manias que desaprovamos, e que só notamos graças a convivência diária. 
 
Eis uma ótima oportunidade para aprender a dialogar e resolver conflitos como “gente grande”. 
 
Depois surgem mais alguns membros para nos ajudar a treinar outras virtudes: chegam os filhos. 
 
Agora temos que dividir um pouco mais, e isso nos torna menos egoístas. 
 
Devemos dividir mais a atenção, treinar a renúncia, aprender a passar noites sem dormir, tropeçar em fraldas sujas, correr para o médico nas horas mais impróprias, perder o filme que gostaríamos de assistir… a novela… o telejornal. 
 
A cama, que antes era só minha e passou a ser nossa, agora tem mais alguém nela, disputando espaço. 
 
E não é só o espaço físico que o pimpolho reclama, ele quer nosso carinho, nossa atenção, nossa companhia, nossa proteção. 
 
E aí temos a grande oportunidade de aprender a superar o ciúme, o medo, a insegurança, o desejo de posse exclusiva sobre o nosso par, para amparar esse serzinho que chegou para ficar. 
 
Junto com tudo isso herdamos, também, a família do nosso cônjuge, que nem sempre nos parece uma boa aquisição. 
 
Eis um grande desafio para aprender a fraternidade pura, a tolerância, o desprendimento, a amizade e outras tantas virtudes que ainda não possuímos. 
 
Ademais, para cumprir bem o papel que um dia aceitamos, unindo-nos a alguém de livre e espontânea vontade, é preciso que os dois pilares do templo chamado lar permaneçam firmes até o fim. 
 
Quando isso não acontece está declarada a vitória do egoísmo. Está declarada a nossa falência enquanto seres que desejamos superar os limites e alcançar paragens mais felizes. 
 
Talvez você não concorde com todos esses arrazoados, no entanto, seria bom refletir sobre o assunto. 
 
Há casos de pessoas que optam por não se casar, assumindo, declaradamente seu egoísmo. Com certeza irão responder perante a própria consciência e a consciência cósmica pela decisão tomada. 
 
Considerando que nem todos nascem com o compromisso de se casar, obviamente estamos falando daqueles que tinham assumido esse compromisso, antes de renascer. 
 
Aquele que se casa e promete conviver bem com seu par e com os filhos que Deus lhes envia, mas abandona o barco ao menor indício de tempestade, certamente será responsável pelos destinos daqueles que abandona à própria sorte. 
 
Isso será, fatalmente, sementeira de amargura num futuro próximo ao distante, cuja colheita será obrigatória. 
 
Por todas essas razões, vale a pena pensar ou repensar os nobres objetivos que a divina sabedoria estabeleceu com a união de dois seres. 
 
Vale a pena refletir sobre o que queremos para nós. Refletir sobre as forças internas que devem nos elevar acima dessa miséria moral chamada egoísmo. 
 
Ou será que vamos “jogar a toalha”, numa demonstração tácita de derrota para esse monstro cruel? 
 
Pense nisso! Pense agora! E decida-se pelo amor.

Procura-se um amigo

Procura-se um amigoNo mural de avisos da empresa, alguém colocou um papel digitado em letras grandes, que dizia: 
 
Procura-se um amigo. 
 
Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimento, ter coração. Precisa saber falar e saber calar no momento certo; sobretudo, saber ouvir. 
 
Deve gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, do sol, da lua, do canto dos ventos e do murmúrio das brisas. 
 
Deve sentir amor, um grande amor por alguém, ou sentir falta de não tê-lo. 
 
Deve amar o próximo e respeitar a dor alheia. Deve guardar segredo sem sacrifício. 
 
Não precisa ser puro, nem totalmente impuro, porém, não deve ser vulgar. 
 
Deve ter um ideal e sentir medo de perdê-lo; se for assim, deve perceber o grande vazio que isso deixa. 
 
Precisa ter qualidades humanas; sua principal meta deve ser a de ser amigo; deve sentir piedade pelas pessoas tristes e compreender a solidão. 
 
Que ele goste de crianças e lastime as que não puderam nascer e as que não puderam viver. Que goste dos mesmos gostos; que se emocione quando chamado de amigo; que saiba conversar sobre coisas simples e de recordações da infância. 
 
Precisa-se de um amigo para se contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos sonhos, das realizações e da realidade. 
 
Deve gostar de ruas desertas, de poças d´água, de beira de estrada, do cheiro da chuva e de se deitar no capim orvalhado. 
 
Precisa-se de um amigo que diga que a vida vale a pena, não porque é bela, mas porque já se tem um amigo. 
 
Precisa-se de um amigo para não se chorar, para não se viver debruçado no passado. 
 
Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo. Precisa-se de um amigo que creia em nós. 
 
Precisa-se de um amigo para se ter consciência de que ainda se vive. 
 
* * * 
 
Há, no mundo moderno, muita falta de amizade. O egoísmo afasta as pessoas e as isola. 
 
Contudo, não se pode viver sem amigos. Eles são a aragem branda no deserto das dificuldades. 
 
São eles que nos oferecem o coração que compreende e perdoa, nas horas mais amargas da vida. 
 
Sustentam-nos na fraqueza e nos libertam nos momentos de dor. 
 
Quando a discórdia nos atinge, são eles que estendem os recursos da amizade leal, confortando-nos a alma. 
 
Discretos, os amigos se apagam para que brilhem aqueles a quem se afeiçoam. 
 
* * * 
 
A amizade é o sentimento que imanta as almas umas às outras, gerando alegria e bem-estar. 
 
É suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção. 
 
Portadora de paz e alegria, a amizade é presença fundamental nos amores de profundidade. 
 
Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, os laços da união não se rompem se existe amizade. 
 
E, quando os impulsos sexuais do amor passam, a amizade fica, porque as suas raízes se encontram firmadas no afeto seguro, nas terras da alma.

Um presente inesquecível

Renata LombardiLinda tinha 7 anos quando ouviu sua mãe comentar com uma de suas amigas que, no dia seguinte, faria 30 anos. 
 
Jamais linda soubera que sua mãe fazia aniversário. Também nunca a vira ganhar um presente. 
 
Por isso, foi até seu cofrinho, juntou todas as moedas e se dirigiu à loja da esquina. 
 
Procurou um presente que pudesse se encaixar naquele preço. Havia bibelôs, mas ela pensou que sua mãe teria que espaná-los todos os dias. 
 
Havia caixinhas de doces, mas sua mãe era diabética. 
 
Finalmente, conseguiu comprar um pacote de grampos de cabelo. 
 
Os cabelos de sua mãe eram longos e escuros. Ela os enrolava duas vezes na semana e, quando os soltava, ficava parecendo uma artista de cinema. 
 
Em casa, linda embrulhou os grampos em uma página de histórias em quadrinhos do jornal, porque não sobrou dinheiro para papel de presente. 
 
Na manhã seguinte, à mesa do café, entregou o pacote à sua mãe e disse: “feliz aniversário, mamãe!” 
 
Em silêncio, entre lágrimas, a mãe abriu o pacote. Já soluçando de emoção, mostrou ao marido, aos outros filhos: “sabe que é o primeiro presente de aniversário que recebo na vida?” 
 
Beijou a filha no rosto, agradecendo e foi para o banheiro lavar e enrolar os cabelos, usando os grampos novos. 
 
Quando a mãe saiu da sala, o pai aproximou-se de linda e confidenciou: “linda, quando eu era menino, lá no sertão, não nos preocupávamos em dar presentes de aniversário para adultos. Só para as crianças. 
 
E, na família de sua mãe, eles eram tão pobres que nem isso faziam. Mas você me fez ver, hoje, que isso precisa mudar. Você inaugurou uma nova fase em nossa vida.” 
 
Depois desse dia, a mãe de linda ganhou presentes em todos os seus aniversários. 
 
Os filhos cresceram. As condições da família melhoraram. 
 
Então, quando a mãe de linda completou 50 anos, os filhos todos se reuniram e lhe compraram um anel com uma pérola rodeada de brilhantes. 
 
Programaram uma festa e o filho mais velho foi quem, em nome dos irmãos, entregou o anel. 
 
Ela admirou o presente e mostrou a todos os convidados. 
 
“Não tenho filhos maravilhosos?” Ficava repetindo de um em um. 
 
Depois que todos os convidados se retiraram, linda foi ajudar na arrumação. 
 
Estava lavando a louça na cozinha, quando ouviu seus pais conversando na sala. 
 
“Bem”, dizia o pai. “que lindo anel seus filhos lhe deram. Acho que foi o melhor presente de aniversário de sua vida.” 
 
Depois de um breve silêncio, linda ouviu a voz de sua mãe responder docemente: “sabe, Ted, é claro que este anel é maravilhoso. Mas o melhor presente que ganhei, em toda minha vida, foi aquela caixa de grampos. Aquele presente foi inesquecível.” 
 
*** 
 
Os atos que colocam colorido especial nas vidas são pequenos, silenciosos, e podem se manifestar a qualquer tempo. 
 
É suficiente querer, usar a imaginação e deixar extravasar o coração. 
 
Se você nunca brindou alguém com flores, com um cartão escrito de próprio punho; 
 
Se você nunca surpreendeu alguém com uma festa surpresa, um presente inesperado, tente hoje. 
 
Hoje é sempre o melhor tempo para começar o que é bom, novo e portador de felicidade.

Relacionamento

Renata LombardiUma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
Dr. Drauzio Varela

Posso estar errado

Renata LombardiEle carregou aquele peso inútil durante todo o dia. 
 
Saíra de casa afobado, nervoso, e ainda por cima, havia discutido com a esposa. 
 
Defendera uma idéia, um pensamento, com unhas e dentes, como se não conseguisse admitir, de forma alguma, que sua opinião poderia não ser a verdadeira. 
 
Foi grosseiro, teimoso e impaciente. 
 
Voltava agora para casa, e ao sintonizar a rádio no carro, ouviu a frase: Posso estar errado. 
 
Era um professor dizendo o quanto sua vida se tornou diferente, quando passou a considerar esta opção, perante os alunos. 
 
Dizia que passaram a respeitá-lo mais do que antes, quando pretendia ser sempre o dono da verdade. 
 
Afirmava que até mesmo os conteúdos, sendo passados de uma forma mais humilde, menos impositiva, eram melhor absorvidos pela classe. 
 
Ele resumia sua teoria dizendo: Admitir falhas é o melhor caminho. 
 
* * * 
 
Será que costumamos fazer este exercício? Considerar, nesta ou naquela situação ou discussão, que podemos estar errados? 
 
Ou ainda insistimos em achar que o nosso ponto de vista é sempre o mais correto? 
 
Parece que, ao acharmos que estamos com a razão, acreditamos que a nossa opinião é mais importante do que a dos demais, e que tem de prevalecer. 
 
Não percebemos, mas isso é manifestação do vício do orgulho, em uma de suas muitas formas de atuação. 
 
Um exercício interessante é tentar, a cada momento, considerar a simples hipótese de que podemos estar errados, e fazer um esforço para enxergar as coisas por outro ângulo. 
 
Podemos experimentar ser mais flexíveis e abertos e lembrarmos que algumas vezes podemos não estar com a razão. 
 
Tal forma de agir nos ajuda a tomar decisões mais acertadas e, conseqüentemente, duradouras, pois elas não terão sido fruto de uma reação automática de nossa personalidade. 
 
Ao nos desapegarmos da necessidade de estarmos sempre com a razão, transformamos nossas vidas numa experiência bem mais prazerosa. 
 
Afinal, por que temos que estar sempre certos? Não parece um peso desnecessário que carregamos nos ombros? 
 
Buscar acertar sempre é saudável, nos faz crescer. Porém, querer ser sempre o dono da verdade, é desperdício de energia. Além de ser uma pretensão muito grande. 
 
O caminho para a verdade está em conhecer todos os ângulos possíveis de visão sobre algo, e isso só é possível ouvindo os outros, considerando as experiências alheias na construção de nosso conhecimento. 
 
Quanto mais humildes, mais ouvimos. Quanto mais orgulhosos, mais queremos ser ouvidos. 
 
* * * 
 
Dale Carnegie, autor do best seller Como fazer amigos e influenciar pessoas, afirma que você nunca terá aborrecimentos admitindo que pode estar errado. 
 
Isto evitará discussões e fará com que o outro companheiro se torne tão inteligente, e tão claro e tão sensato como foi você. 
 
Fará com que ele também queira admitir que pode estar errado. 
 
A inflexibilidade de uma opinião gera quase sempre aversão. Um gesto de humildade sempre inspira outro.
 

Por que ter filhos?

Renata LombardiEducar exige esforço. Que o digam os pais e, em especial, as mães que, de um modo geral, ficam mais horas com a criança. É uma tarefa árdua com certeza. 
 
Há dias em que a irritação atinge o auge. São aqueles em que as crianças parecem ter acordado com o fiel compromisso de nos atormentar. 
 
É em momentos assim que se pode explodir com a frase: Ai, meu Deus, por que eu fui ter filho? 
 
A frase cai como uma bomba sobre um pequeno traquinas, esperto e disposto a todas as brincadeiras. 
 
Ao ouvir isso ele pode se sentir rejeitado, sem lugar no mundo, responsável por uma situação que, em verdade, não criou. 
 
É todo um conjunto de circunstâncias que nos leva a desabafar desta forma. 
 
É a preocupação com os afazeres domésticos, os compromissos profissionais em que somos cobrados pela produtividade e desempenho. 
 
É o dinheiro que falta para cobrir todas as despesas. E, para completar, um dia de chuva após o outro e as crianças gritando, tirando tudo do lugar, correndo pelos quatro cantos da casa, sem parar. 
 
O desabafo tem outras maneiras de ser expressado e outros momentos também. Quando chegam as mensalidades da escola, quando nos damos conta de que há necessidade de comprar novos agasalhos, calçados, um novo livro. 
 
De todo modo, para os filhos que ouvem, o sentimento que é passado é o de rejeição. Eles são um estorvo na vida dos pais. Um peso. Melhor fora se não tivessem nascido. 
 
Como o fato não é isolado e único, eles ouvirão mais de uma vez essa ou aquela frase, afirmando o mesmo. 
 
E crescerão crianças tristonhas, sentindo-se demais em todo lugar. Terão possibilidades de se tornar adultos ensimesmados, retraídos, com medo de se achegar às pessoas, por se considerarem não amados. 
 
Em suas amizades, poderão enfrentar dificuldades, acreditando-se a mais em qualquer circunstância. 
 
* * * 
 
A palavra tem força criadora. 
 
Com ela podemos produzir a ventura ou a infelicidade. Podemos construir o bom e o belo, ou a maldade. 
 
Pensemos nisso no contato com os nossos filhos. Reflitamos antes de nos expressarmos e não nos permitamos inconsequências em nossas palavras. 
 
As crianças devem ser educadas, receber disciplina. Para tal bastam as expressões da coerência, a explicação do bom senso, a paciência das horas. 
 
Recordemos que até hoje as palavras do Cristo nos são repetidas diariamente, através das mensagens dos imortais, das páginas dos Evangelhos, dos exemplos dignificantes. E ainda assim, permanecemos refratários, pouco ou quase nada assimilando. 
 
E Deus, nosso Pai, que nos criou para a alta destinação da perfeição nunca nos diz que somos um estorvo na Criação, por mais que erremos, por mais rebeldes que sejamos diante do Seu amor. 
 
Tudo porque a mensagem da educação é de amor e de renúncia, que sabe esperar no tempo a melhoria do ser amado. 
 
* * * 
 
A palavra conduz a estados d´alma os mais diversos. 
 
Pela palavra podemos iluminar caminhos em sombras, traçar veredas de segurança, acalentar quem se aninha em corpos minúsculos à busca de carinho e educação. 
 
Pela palavra podemos criar estados de otimismo e lições de amor. 
 
Por utilizar a palavra com sabedoria, o Senhor Jesus foi denominado o verbo Divino. Suas expressões comoveram a Terra e ensejam até hoje a elaboração de um sem número de obras que convidam a criatura ao amor.

Problemas pessoais

Renata LombardiDe que tamanho são os seus problemas? Você acredita que eles sejam maiores do que os de quaisquer outras pessoas? Habitualmente, quando atravessamos dificuldades, ocorre de as vermos como intransponíveis e insolúveis, o que concorre para estabelecer painéis de maior tristeza e dor. 
 
A propósito, nos recordamos da história de uma garota que costumava desesperar-se ante pequenos contratempos que lhe adviessem. 
 
Preocupado, seu pai convidou-a , certo dia, a dar um longo passeio montanha acima. 
 
A subida íngreme exigiu esforço, compensado pela vista maravilhosa da paisagem, que permitia descobrir velhas árvores coloridas de um verde espetacular, a cachoeira que descia caprichosa, esparramando-se pela encosta, cantando docemente, enquanto lavava as pedras do caminho. 
 
A tudo a pequena ia observando, entre surpresa e extasiada. O pai se permitia, vez por outra, observações ponderadas a respeito da grandeza de Deus, o Excelente Artista que assim tudo dispusera, naqueles quadros magníficos. 
 
Chegados ao cimo da montanha, o pai convidou a filha a olhar para baixo, falando do que via. 
 
Ela se admirou de ver as pessoas se movendo lá na cidade, quais pequenas formigas. As casas pareciam caixinhas de fósforos, caprichosamente dispostas ao longo de cercas minúsculas. 
 
As árvores tinham o porte de raminhos verdes, espetados na terra. os carros semelhavam brinquedos comandados à distância, por controle remoto. 
 
Percebeu como as coisas são pequenas, vistas daqui do alto? Perguntou o pai. Esta é uma técnica que sempre utilizo quando me vejo em meio a muitos problemas. Subo a montanha e, vendo tudo tão pequeno, começo a pensar que os meus problemas devem ser vistos assim: como alguém que olha as coisas de cima de uma montanha. Tudo então fica mais fácil. 
 
Mas quando você sobe, pai, os problemas não sobem junto? 
 
Não, respondeu ele. Na medida em que eu subo, creio que eles não têm resistência, ficam cansados. 
 
Quando chego cá em cima, maravilhado com tanta beleza, eles já estão sem fôlego, perdidos pelo caminho. Daí, respiro o ar puro e me disponho a transpirar no trabalho, esforçando-me por superar os obstáculos. 
 
Não se esqueça, finalizou, de olhar as coisas difíceis da vida, como quem sobe uma montanha e passa a ver melhor as coisas, lá de cima. 
 
Semelhante ao fato narrado, busquemos olhar os obstáculos de um ângulo mais elevado. 
 
Subamos a montanha da oração, buscando o auxílio superior, e então contemplemos a problemática que nos atinge com olhos diferentes, olhos que traduzam a certeza de que não nos encontramos ao desamparo, em momento algum. 
 
Certeza de quem sabe que ao se escalar a montanha da prece, rumando para cima, do alto fulgem bênçãos de socorro, paz e harmonia que nos ajudam a superar os percalços do caminho. 
 
*** 
 
Você sabia que ninguém recebe peso superior ao que possam suportar seus ombros? 
 
E que Jesus prossegue, nos dias da atualidade, convidando os enfermos e aflitos ao seu regaço, dizendo: “vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei?” 
 
Os aflitos são os que padecem dores morais, decepções, tristeza, angústia. 
 
E sobrecarregados são os que atravessam as dificuldades físicas, doenças, pobreza, entre outras.

O que temos

Renata LombardiNa visão tantas vezes pessimista, do homem, ele se esquece de que tem multiplicadas razões para ser infinitamente grato a Deus. 
 
Foi certamente reflexionando a respeito das tantas bênçãos de que dispõe, que alguém elaborou uma prece, mais ou menos nos seguintes termos: 
 
“Eu agradeço a Deus… Pelos impostos que eu pago, porque isso significa que tenho um emprego… Muitos desejariam estar no meu lugar e não se importariam nem um pouco em ter tal desconto em seu salário, porque teriam um salário…” 
 
Agradeço a Deus pela confusão que eu tenho que limpar após uma festa, porque isso significa que estive rodeado de amigos, que mesmo num mundo onde tantos afirmam não ter tempo, eles têm tempo para me visitar no meu aniversário, na minha formatura, na comemoração de um sucesso na minha carreira ou simplesmente em um dia comum qualquer. 
 
Agradeço pela minha sombra que me segue, porque isso significa que ando ao sol… 
 
Pelas paredes que precisam ser pintadas, pela lâmpada que precisa ser trocada, pela torneira que vaza, pelo ladrilho quebrado, porque isso significa que ainda tenho minha moradia… 
 
Por todas as críticas que faço às coisas que não me satisfazem, porque isso significa que tenho possibilidade de análise e discernimento, tanto quanto vivo em um país onde gozo da liberdade de expressão… 
 
Pelo único lugar para estacionar que encontro bem ao fundo do estacionamento, porque isso significa que além de ter a felicidade de poder andar, tenho a ventura de ter um meio de transporte… 
 
Pela música que toca desafinadamente atrás de mim, porque isso significa que posso ouvir… 
 
Pelo cansaço e os músculos doloridos que eu sinto ao final do dia, porque isso significa que tenho saúde para trabalhar… 
 
Pelo despertador que toca às primeiras horas da manhã, quando ainda me encontro sonolento e gostaria de permanecer dormindo mais um pouco, porque isso quer dizer que mereci a bênção de acordar no corpo outra vez. 
 
Finalmente, por todos os e-mails que recebo diariamente, o que significa que tenho amigos que pensam em mim, mesmo que por poucos minutos, diante de uma tela de computador… 
 
Por fim… Obrigado meu Deus pela minha vida cheia de problemas, porque eles me farão ter certeza de que eu sou capaz de resolver cada um e, da melhor maneira.” 
 
*** 
 
Diante do prato de comida que tens na mesa, não reclames da sua singeleza ou da reprise de todos os dias. Lembra que bem próximo de ti, alguém desejaria intensamente ter um pedaço de pão para saciar a fome. 
 
Diante da ausência do refrigerante ou suco de tua predileção no restaurante em que te encontras, não reclames. Pensa em quantos, no mundo, morrem por ausência de um pouco de água que lhes mantenha a vida. 
 
Diante do congestionamento de trânsito que te detém na rua ou na rodovia, não reclames. Pensa em quantos gostariam de deter o passo um pouco, para descansar, mas não o podem fazer, porque necessitam vencer grandes distâncias a pé, para chegar ao posto de socorro mais próximo. 
 
Enfim, diante da ausência de qualquer coisa que desejes pensa, antes de reclamar, em tudo de que já dispões e que te beneficia com conforto, alegrias e sucessos. 
 
E, em nome da caridade, recorda-te de orar por todos aqueles que não desfrutam dessas mesmas oportunidades.

A opinião dos outros

A opinião dos outrosVocê se importa com a opinião que os outros têm a seu respeito? 
 
Se a sua resposta for não, então você é uma pessoa que sabe de si mesma. Que se conhece. É auto-suficiente. 
 
No entanto, se a opinião dos outros sobre você é decisiva, vamos pensar um pouco sobre o quanto isso pode lhe ser prejudicial. 
 
O primeiro sintoma de alguém que está sob o jugo da opinião alheia, é a dependência de elogios. 
 
Se ninguém disser que o seu cabelo, a sua roupa, ou outro detalhe qualquer está bem, a pessoa não se sente segura. 
 
Se alguém lhe diz que está com aparência de doente, a pessoa se sente amolentada e logo procura um médico. 
 
Se ouve alguém dizer que está gorda, desesperadamente tenta diminuir o peso. 
 
Mas se disserem que é bonita, inteligente, esperta, ela também acredita. 
 
Se lhe dizem que é feia, a pessoa se desespera. Principalmente se não tem condições de reparar a suposta feiúra com cirurgia plástica. 
 
Existem pessoas que ficam o tempo todo à procura de alguém que lhes diga algo que as faça se sentir seguras, mesmo que esse alguém não as conheça bem. 
 
Há pessoas que dependem da opinião alheia e se infelicitam na tentativa de agradar sempre. 
 
São mulheres que aumentam ou diminuem seios, lábios, bochechas, nariz, para agradar seu pretendido. Como se isso fosse garantir o seu amor. 
 
São homens que fazem implante de cabelo, modificam dentes, queixo, nariz, malham até à exaustão, para impressionar a sua eleita. 
 
E, quando essas pessoas, inseguras e dependentes, não encontram ninguém que as elogie, que lhes diga o que desejam ouvir, se infelicitam e, não raro, caem em depressão. 
 
Não se dão conta de que a opinião dos outros é superficial e leviana, pois geralmente não conhecem as pessoas das quais falam. 
 
Para que você seja realmente feliz, aprenda a se conhecer e a se aceitar como você é. 
 
Não acredite em tudo o que falam a seu respeito. Não se deixe impressionar com falsos elogios, nem com críticas infundadas. 
 
Seja você. Descubra o que tem de bom em sua intimidade e valorize-se. Ninguém melhor do que você para saber o que se passa na sua alma. 
 
Procure estar bem com a sua consciência, sem neurose de querer agradar os outros, pois os outros nem sempre dão valor aos seus esforços. 
 
A meditação é excelente ferramenta de auto-ajuda. Mergulhar nas profundezas da própria alma em busca de si mesmo é arte que merece atenção e dedicação. 
 
Quando a pessoa se conhece, podem emitir dela as opiniões mais contraditórias que ela não se deixa impressionar, nem iludir, pois sabe da sua realidade. 
 
Nesses dias em que as mídias tentam criar protótipos de beleza física, e enaltecer a juventude do corpo como único bem que merece investimento, não se deixe iludir. 
 
Você vale pelo que é, e não pelo que tem ou aparenta ser. A verdadeira beleza é a da alma. A eterna juventude é atributo do Espírito imortal. 
 
O importante mesmo é que você se goste. Que você se respeite. Que se cuide e se sinta bem. 
 
A opinião de alguém só deve fazer sentido e ter peso, se esse alguém estiver realmente interessado na sua felicidade e no seu bem-estar. 
 
Pense nisso! 
 
Nenhuma opinião que emitam sobre você, deve provocar tristeza ou alegria em demasia. 
 
Os elogios levianos não acrescentam nada além do que você é, e as críticas negativas não tornarão você pior. 
 
Busque o autoconhecimento e aprenda a desenvolver a auto-estima. 
 
Mas lembre-se: seja exigente para consigo, e indulgente para com os outros. 
 
Eis uma fórmula segura para que você encontre a autoconfiança e a segurança necessárias ao seu bem-estar efetivo. 
 
E jamais esqueça que a verdadeira elegância é a do caráter, que procede da alma justa e nobre. 
 
Pense nisso, e liberte-se do jugo da opinião dos outros.
 

Oh, como eu a amei!

Oh, como eu a amei!O padre estava terminando o serviço fúnebre na hora do sepultamento. De repente, o homem de 78 anos, cuja esposa de 70 anos acabara de morrer, começou a gritar: 
 
– “Oh, como eu a amei!” 
 
Seu lamento desolado interrompeu o silêncio da formalidade. Os outros familiares e amigos permaneceram de pé em torno da sepultura, parecendo chocados e embaraçados. 
 
Seus filhos, envergonhados, tentaram silenciar seu pai. 
 
Está certo, papai; nós entendemos. 
 
O velho homem olhava fixamente o caixão descer lentamente na sepultura. O padre continuou. Terminando, ele cumprimentou os familiares que, um a um, foram deixando o local. 
 
Todos, exceto o velho homem. 
 
– “Oh, como eu a amei!” Gemeu ruidosamente. 
 
Sua filha e dois filhos novamente tentaram contê-lo, mas ele continuou. 
 
– “Como eu a amei!” 
 
Aquele homem permaneceu olhando fixamente para o sepulcro. O padre o abordou dizendo: “eu sei como você deve se sentir, mas está na hora de irmos embora.” 
 
Todos devemos ir e continuar nossa vida. 
 
“Oh, como eu a amei!” Disse novamente o velho homem ao padre. 
 
“Você não faz idéia…” 
 
“Eu quase disse isso a ela, uma vez…” 
 
*** 
 Nunca deixe de declarar seu amor por alguém, arrisque-se mesmo que não seja correspondido, mas deixe claro que você o ama… Muitas das vezes pessoas esperam essa palavra de você para sorrir…

Incontável número de pessoas passa por uma situação semelhante a essa. 
 
São esposas e esposos, filhos, irmãos, tios, amigos, que passam uma vida inteira juntos e não têm coragem de declarar seus sentimentos. 
 
No momento em que o criador, pai amoroso e bom, vem requisitar nosso ente querido, e este viaja com destino ao mundo espiritual, muitas vezes fazemos como aquele esposo e gritamos com todas as forças que nós o amamos, mas é demasiadamente tarde… 
 
Para que você não fique com uma declaração de amor presa na garganta, diga hoje mesmo o que você sente pelos seus afetos. 
 
Diga ao seu filho o quanto você o ama. 
 
Fale para os irmãos que eles são importantes para você. Talvez a felicidade deles dependa dessa declaração. 
 
Confidencie aos seus pais que você os ama, se é que ainda não o fez. Isso lhes trará uma alegria inesperada. 
 
Não esconda dos seus amigos o que você sente por eles. Talvez eles desconheçam seus sentimentos de ternura. 
 
Abrace seus avós, se ainda os tem por perto. Um abraço de neto representa o maior dos tesouros. E, talvez, o melhor dos remédios. 
 
Confesse ao seu esposo ou a sua esposa o seu amor. Isso fará com que o relacionamento se torne mais agradável e os eventuais problemas se tornem mais fáceis de superar. 
 
Pense nisso e tome uma atitude agora. Conjugue o verbo amar no tempo presente. 
 
Pense nisso! 
 
Uma palavra de ternura, um gesto de carinho, uma declaração de amor, são imensa força positiva para a auto-estima de alguém que se sente só ou em depressão. 
 
Às vezes pensamos que as pessoas sabem o que sentimos por elas e por isso não dizemos, mas nem sempre elas adivinham. 
 
Na dúvida, não deixe de declarar seus sentimentos de afeto. Essa atitude trará bem-estar aos seus amores e também a você. 
 
Pense nisso!

Uma nova chance

Uma nova chanceÉ comum que as pessoas, quando seriamente doentes, olhem para seu passado arrependidas por tantos equívocos, por tantas oportunidades desperdiçadas. 
 
Quase sempre admitem que gostariam que suas prioridades tivessem sido diferentes. 
 
Elas sentem que poderiam ter utilizado mais tempo com as pessoas e com as atividades que realmente amavam, e menos tempo se preocupando com aspectos da vida que, se examinados mais profundamente, não têm real importância. 
 
Outras, ainda, percebem que se afastaram de seus amores e de seus ideais de forma lenta, porém, quase irremediável. 
 
Mas será necessário esperar uma situação extrema para analisar a postura diante da vida e da utilização do tempo? 
 
Embora saibamos que a morte é uma transformação e que continuaremos a viver mesmo depois da falência de nosso corpo físico, vale a pena fazer a experiência sugerida por Richard Carlson, autor do livro “Não faça tempestade em copo d’água”. 
 
Ele sugere: imaginemo-nos em nosso próprio funeral. 
 
Isso, segundo o autor, permitirá que consigamos olhar em retrospectiva a vida, enquanto temos oportunidades de fazer mudanças expressivas. 
 
Além disso, tal exercício seria capaz de conceder-nos a chance de lembrar que tipo de pessoa gostaríamos de ser e quais as prioridades que realmente contam. 
 
A respeito desse tema vale a pena lembrar a postura de Francisco de Assis. 
 
Pouco tempo antes de sua desencarnação, Francisco, já muito doente e enfraquecido, trabalhava tranqüilamente em seu jardim, quando foi interrompido por Frei Leão, um dos seus seguidores. 
 
Frei Leão, embevecido com a figura serena do pequeno Francisco, perguntou-lhe: Paizinho – como costumeiramente o chamava – se você soubesse que iria morrer amanhã, o que você faria? 
 
Francisco sorriu docemente e respondeu sem alterar-se: Eu continuaria a trabalhar no meu jardim. 
 
Quantos de nós teríamos a mesma tranqüilidade perante tal indagação? 
 
Quantos teríamos, diante da certeza da morte próxima, a confiança de que estamos realmente fazendo aquilo que nos compete fazer e que nada foi relegado, abandonado, esquecido? 
 
Francisco sabia que sua conduta não merecia reparos e que não havia nada mais, além do que ele já estava fazendo, que devesse ser realizado. 
 
Ele demonstrou estar pleno da paz que invade apenas aqueles que têm a consciência tranqüila pelo dever cumprido. 
 
Essa análise, porém, só pode ser feita por cada um de nós, a quem compete, individualmente, saber a que viemos e se estamos atendendo e cumprindo as metas que norteiam a nossa atual existência. 
 
Ninguém pode nos dizer o que fazer ou deixar de fazer, como, quando, e de que forma. 
 
Trata-se de escolhas individuais cuja responsabilidade cabe a cada um de nós de maneira direta e intransferível. 
 
Deixar para fazer esse balanço apenas quando a desencarnação se mostra próxima e inevitável, é desperdiçar as oportunidades de renovação que Deus nos oferece a cada minuto. 
 
Além disso, independentemente da nossa atual situação, não nos é dado saber se ao amanhecer do próximo dia ainda estaremos no corpo físico. 
 
Deus jamais desistirá de nós, mas isso não é justificativa para que protelemos por milênios a felicidade que nos é destinada desde sempre. 
 
Pense nisso, mas pense agora.

Nunca te arrependerás

Nunca te arrependerásNunca te arrependerás de teres refreado a língua, quando pretendias dizer o que não convinha ou o que não era verdade. 
 
De teres formado o melhor conceito sobre o proceder de outrem. 
 
De não teres julgado com severidade os atos alheios, ignorando a real motivação de cada ser. 
 
Nunca te arrependerás de teres perdoado àqueles que te fizeram mal. 
 
De teres contribuído para obras destinadas à caridade e à promoção humana. 
 
De teres cumprido pontualmente tuas promessas bem pensadas. 
 
De seres fiel aos compromissos dignos e nobres a que te vinculastes. 
 
Nunca te arrependerás de teres suportado com paciência as faltas alheias. 
 
De teres ignorado as mentiras e as maledicências que te chegaram aos ouvidos, afastando-te dessa espécie de conversação. 
 
De teres dirigido palavras bondosas aos desventurados e tristes. 
 
De teres simpatizado com os oprimidos e de teres realizado algo de efetivo e bom em prol deles. 
 
Nunca te arrependerás de teres pedido perdão pelas faltas cometidas. 
 
De teres reparado o mal que causastes. 
 
De teres pensado antes de falar. 
 
De teres honrado a teus pais, agindo com gratidão por todo o bem que deles recebestes. 
 
De teres sido cortês e honesto em tudo e com todos. 
 
Nunca te arrependerás de teres ensinado algo de bom e de verdadeiro a uma criança. 
 
De teres sido capaz de cativar um coração e de teres feito uma amizade verdadeira. 
 
De teres oferecido pão a um faminto e consolo a um desesperado. 
 
Nunca te arrependerás de renunciar ao equívoco e seguir pelo caminho correto, por mais árduo que este possa ser. 
 
Nunca te arrependerás de seguir os exemplos de Jesus, porque o bem-estar causado pela certeza do dever cumprido supera qualquer sensação decorrente da satisfação de meras necessidades humanas. 
 
Podes escolher os caminhos que vais seguir no curso de tua jornada na Terra. 
 
Podes optar quais posturas assumirás diante das mais variadas circunstâncias da vida. 
 
És o senhor de teus passos, o dono de teu futuro. 
 
Não compete a mais ninguém as escolhas que afetarão a tua história. 
 
Por mais que os atos de terceiros sejam capazes de te atingir, somente os teus próprios atos, as tuas reações é que definirão os rumos do teu destino. 
 
Pensa nisso antes de agires. 
 
Reflete com ponderação e sabedoria. 
 
O arrependimento resulta de decisões equivocadas, tomadas sob a influência do egoísmo e da ira. 
 
Motiva teus atos nos ensinamentos do Cristo. 
 
Pensa sempre: “o que teria feito o Mestre Jesus se estivesse no meu lugar?” 
 
Eis um método bastante eficiente para saber quais atitudes são viáveis e quais trarão sofrimento, cedo ou tarde. 
 
Fazer o bem sempre é motivo de satisfação e júbilo. 
 
Não interessa ao homem de bem o reconhecimento pelo seu ato, tampouco gratidão e honrarias. 
 
A consciência tranqüila e a certeza íntima de que se fez o melhor e o possível, deveria ser suficiente para apaziguar o coração humano. 
 
Não te rendas aos equivocados hábitos da maioria, que cede ao mal e busca recompensas materiais em tudo que faz. 
 
Segue sempre pelo caminho do bem, e nunca te arrependerás dessa escolha.

Mudanças…

Renata LombardiToda mudança exige esforços e uma grande dose de coragem. 

 Haverá momento em que você terá que abandonar aquilo que gosta para ver a alegria de quem você ama…

A maioria de nós prefere criticar os outros e responsabilizá-los pelo que não está certo. 
 
No entanto, às vezes é preciso um auto-enfrentamento com toda sinceridade a fim de repensar atitudes e tomar decisões importantes para o próprio crescimento. 
 
O que não devemos esquecer jamais, é que somos espíritos milenares e que trazemos uma grande soma de experiências e hábitos adquiridos ao longo da caminhada evolutiva. 
 
E precisamos admitir a hipótese de que somos os construtores da própria infelicidade de hoje, graças aos hábitos dos quais não queremos abrir mão. 
 
E se assim é, se desejamos alcançar a felicidade almejada, é preciso despojar-nos do manto escuro das imperfeições que nos pesa nos ombros, a fim de alçar o vôo definitivo em direção à luz.

Renata Lombardi

A professora que fez a diferença

Renata LombardiFoi pelos meados do século XX que o Presidente do Tribunal de Sessões Especiais da cidade de Nova York foi expor as suas idéias sobre o tratamento aos criminosos primários. 
 
Era uma conferência perante magistrados do Estado do Missouri e, em certo momento, ele afirmou que sua atitude, em relação à delinquência entre os jovens se originara de um tratamento inteligente e afetuoso que lhe dispensara uma de suas mestras. 
 
Ele não lhe mencionou o nome. Mas, terminada a reunião o juiz Presidente da Corte Suprema do Missouri se aproximou e lhe perguntou se ele se referira à srta. Varner. 
 
E continuou: Você verificará que alguns dos juízes aqui reunidos foram profundamente influenciados por ela. 
 
Nada menos de quatro juízes vieram manifestar-se a respeito. 
 
Um dos juristas mais respeitados da América, o juiz Laurance Hyde, lhe disse: 
 
Ela foi uma professora maravilhosa. 
 
Ensinava seus alunos a não se contentarem em aprender apenas o que estivesse no livro. Mas interrogassem o autor, que contestassem suas afirmativas, que procurassem conhecer melhor o assunto. 
 
Assim, se descobria o prazer de aprender. 
 
E ele que acreditara que somente para si ela fora a conselheira particular, que o guiara através do curso secundário. Depois, através do curso superior, até se formar em Direito. 
 
Dava-se conta, agora, que essa mulher admirável como professora, vice-diretora e diretora, exercera a mesma influência sobre centenas de alunos que passaram por aquela escola. 
 
E cada um deles a considerava a sua conselheira particular. 
 
Generais, motoristas de táxi, fazendeiros, magistrados, cientistas, almirantes, senadores todos foram beneficiários do afeto e da sua dedicação. 
 
Ela exerceu a sua influência sobre centenas de destinos. 
 
Quando, na escola, havia um menino que todos os demais professores julgavam um indisciplinado incorrigível, ela afirmava: Não existe semelhante coisa. 
 
E se encarregava do caso. Tratava o adolescente com tal amor e compreensão que a transformação se operava. 
 
O próprio Chefe de Polícia, mais de uma vez, levou à sua presença mocinhos acusados de prática de ilegalidades. 
 
Eram atos sem grandes consequências, mas, ainda assim, contrários à lei. 
 
Ela conversava com eles, e eles nunca mais se metiam em encrencas. 
 
* * * 
 
Calla Edington Varner, uma professora que fez a diferença. Como faz falta, nos dias em que vivemos, professores dessa qualidade. 
 
Professores que tenham em mente seus deveres cívicos e lembrem que numa democracia todos importam. 
 
E que cada um pode fazer a grande diferença, operando mudanças pequenas ou expressivas onde se encontre. 
 
Com certeza, professores assim existem. E a esses, a nossa grande e especial homenagem. 
 
Sobretudo os votos de que não esmoreçam, mesmo ante a indiferença de muitos, ou até observações desestimuladoras de que não vale o investimento. 
 
Também nosso apelo aos que temos filhos na escola para que nos demos conta do esforço de heróis assim especiais, que se dedicam muito além do dever. 
 
Heróis silenciosos nas salas de aula, horas e horas. Heróis dedicados em seus lares, preparando aulas, estudando, pesquisando. 
 
Heróis que ensinam, que iluminam mentes, que alimentam corações com sua presença afetuosa e esclarecedora.
 

Salmos 91

Renata Lombardi1-Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.

2-Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.

3-Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.

4-Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.

5-Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,

6-Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.

7-Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.

8-Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.

9-Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação.

10-Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.

11-Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.

12-Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.

13-Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.

14-Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.

15-Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.

16-Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.

Eu sempre reclamando da vida.

 

Reclamando do por que ontem faltou por meia hora dentro da minha casa, o meu doce preferido. Reclamando da chuva que me pegou durante a volta para a casa, ou do sol que deixou meu cabelo avermelhado…

Do vento que o bagunçou, da falta, que quando se faz, o calor arde na pele. Reclamando de não ter os olhos azuis, ou fazendo birra, até porque, sempre que começa a crescer minhas unhas quebram. Reclamando que minha mãe não comprou uma roupa nova pra eu ir à festa que teve… Eu estava com o guarda roupa lotado de roupas que eu nem tinha usado ainda, mais queria comprar outra, tinha que comprar, todos iriam comprar. E mais uma vez, reclamando…

Dessa vez, da piscina não estar limpa.Enquanto eu batia o pé, com o uma tromba tão grande quanto à de um elefante, eu virei o olho, que travou em uma cena. Qual? A de uma mulher com um daqueles carrinhos que moradores de rua costumam empurrar, ele estava cheio de entulhos. Ela estava descalça, com uma bermuda rasgada, e uma camiseta suja, estava de mãos dadas a uma criança, um menino.

Ele apontava chorando para o pirulito de uma menina que caminhava de mãos dadas do outro lado da rua com a sua mãe. Ele queria um pirulito, porém pelo jeito que eles ali estavam, imaginei que não tivessem dinheiro, nem ele e nem aquela, que por dedução minha, seria a mãe dele. E pela primeira eu deixei de ser marrenta e fui até ela, confesso que com muito medo. Chegando onde ela estava perguntei a ela, mesmo tendo quase certeza do porque, o que levará a criança a chorar tanto…

Ela me respondeu que havia algumas horas que ela pedia um pirulito, até porque todas as crianças que passavam na rua tinham um, mas ela não tinha R$0,25 para comprar. Eu falei a ela que compraria um saco de pirulitos pra criança num mercadinho que tinha ali na esquina da minha casa. Eu a convidei pra ir comigo, me surpreendi ao ver que a estava convidando…

Mais continuei a caminhar com lentidão. Durante a breve caminhada, eu perguntei quase afirmando se ela eramãe da criança… Ela me respondeu sorrindo: “Se você concorda que mãe é quem cria e não quem faz, sim eu sou mãe da criança.” Sem hesitar em dizer, falei que nunca havia pensado naquilo, mais que agora que meditei ao ouvi-la eu com certeza concordava com ela, que logo em seguida me contou que encontrou a criança jogada em um terreno baldio, enrolada em panos sujos, e desde então vem cuidando da criança, cuidando do jeito dela, mais cuidando.

Cheguei ao mercado comprei o saco de pirulito como o prometido, mais comprei também outras coisas… Como por exemplo, bolacha, leite, outros tipos de doces, chinelo para os dois… O que não foi o bastante pra pagar o que ela havia me ensinado. Nunca imaginei aprender com uma moradora de rua que nem tudo é do jeito que queremos, mais mesmo no que não queremos podemos encontrar uma gota de felicidade, e se quisermos podemos transformá-la em um rio.

Tudo depende de como você investi naquela gota; do nível da simplicidade que você infiltra em seus olhos; do tamanho da humildade que você planta em seu coração. Humildade essa que será regada com as gotas da felicidade… Se você não sabe transformá-las em rios, você também não sabe cultivar. Hoje eu sei fazer de gotas rios, e uso os rios para regar o que planto em meu coração. Hoje se faz sol, eu mesma, limpo a piscina e me divirto com minhas amigas, se chove eu assisto filmes, se faz frio eu me embrulho num cobertor, se meu cabelo fica avermelhado eu vou ao salão e peço para darem um banho de brilho…

E se o doce falta… Bem… Se o doce falta eu vou ao mercadinho compro pra mim, pro menino que sempre está por aquelas redondezas com a sua mãe, e o entrego a ele, que logo me abraça com um brilho nos olhos e um sorriso nos lábios, que é a melhor maneira de retribuir o doce… E então volto pra casa, realizada, e mais uma vez aprendendo alguma coisa que por um simples ato de alguém, chega aos meus olhos me ensinando o que fazer, ou, o que não fazer.”