A magia infantil

Renata LombardiLinda era chinesa e morava no Havaí. 
 
Contrariando o pai, que a desejava ver casada com alguém dos clãs chineses, ela foi para a Califórnia. 
 
Entrou para a universidade, apaixonou-se por um americano branco, de olhos azuis e com ele se casou. Uma cerimônia simples, bem ao contrário das festas pomposas, no estilo dos casamentos tradicionais, como esperava seu pai. 
 
Depois do casamento, um silêncio pesado se fez entre pai e filha. Ele não a visitava, ela também não. 
 
Quando a mãe telefonava, o pai nunca pedia para falar com a filha. 
 
Por todas estas atitudes do pai, Linda entendia que ele estava desaprovando tudo o que ela fizera. Ela traíra todos os princípios. 
 
Contudo, Linda se lembrava da infância feliz, no Havaí. Lembrava-se de, aos 3 anos, ser a sombra do pai. 
 
Correr atrás dele entre as bananeiras. 
 
E, quando ela cansava, o pai a colocava nos ombros. 
 
Dali de cima ela podia ver o mundo. E o pai cantava uma canção que falava: “você é minha luz do sol. Você me faz feliz quando o céu está cinzento.” 
 
Então, Linda teve um bebê. 
 
Quando o bebê completou cinco meses, ela decidiu que era a hora de mostrá-lo aos avós. 
 
Por isso, ela, o marido e o filho foram ao Havaí. 
 
Linda estava angustiada. Será que o pai a receberia? Ela estava levando um menino no colo, que pouco tinha a ver com os antepassados chineses. Como mãe, ela dizia para si mesma que se seu pai rejeitasse o neto, ela nunca mais voltaria. 
 
Ao chegarem, as saudações foram educadas. O velho chinês olhou a criança sem nenhuma reação. 
 
Depois do jantar, o bebê foi acomodado em um berço em um quarto. 
 
Linda e o marido se recolheram para um descanso. De repente, ela acordou em sobressalto. 
 
Havia passado a hora do bebê mamar. 
 
Levantou-se. Nenhum som de choro. Pelo contrário, ela ouviu uma risada delicada de bebê. 
 
Atravessou o corredor, chegou à sala. Seu filho de apenas cinco meses estava deitado em uma almofada, com as mãos e os pés em agitação alegre. 
 
Sorria para o rosto inclinado sobre ele. 
 
Um rosto asiático, bronzeado pelo sol. 
 
O avô dava a mamadeira para o netinho, enquanto lhe acariciava a barriguinha e cantava baixinho: “você é minha luz do sol.” 
 
A criança conseguira, em breve tempo, conquistar o coração do avô e pôr fim a um afastamento tolo entre pai e filha. 
 
Hoje, o avô chinês caminha feliz, seguido por uma sombra saltitante de olhos cor de mel e cabelos encaracolados de quatro anos de idade. 
 
*** 
 
Os filhos não são propriedade dos pais. Portanto, têm direito a suas escolhas. 
 
Os pais devem recordar sempre que os filhos são espíritos, que renascem através deles. Suas vidas, seus anseios são deles. 
 
Aos pais cabe a orientação, a diretriz segura, mas a caminhada é de exclusividade dos filhos. 
 
Romper o vínculo de afeto por quaisquer questões tem sempre como conseqüência dor para ambas as partes. 
 
O melhor, portanto, é dialogar, ponderar e se chegar a um acordo, bom para ambas as partes. 
 
Um acordo em que o filho siga o caminho para a conquista da sua felicidade e os pais se apresentem como o apoio, o abrigo seguro, a terra firme do bom senso.

LBV participa na ONU de celebração pelos 94 anos de Nelson Mandela

LBVA Legião da Boa Vontade (LBV) participou nesta quarta-feira, 18 de julho, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, Estados Unidos da América, das celebrações do Dia Internacional de Nelson Mandela, em homenagem ao ícone da luta contra o apartheid e ex-presidente da África do Sul, que nesse dia completou 94 anos. 

A ONU se juntou à Fundação Nelson Mandela para a criação da data, que pede aos cidadãos que se dediquem a causas sociais durante 67 minutos de seu tempo — simbolicamente, um minuto para cada ano que Mandela, prêmio Nobel da Paz de 1993, devotou na luta pela igualdade racial e pelo fim do regime segregacionista em seu país, até 1994.

Sob a inspiração do lema “Liberdade, justiça e democracia”, o evento reuniu delegações dos Estados membros e agências especializadas da ONU, além de organizações da sociedade civil, a exemplo da Legião da Boa Vontade, em reunião plenária informal da Assembleia-Geral da ONU.

 Representantes da LBV deixaram seus cumprimentos a Mandela pelo aniversário e por seus esforços na difusão da democracia e promoção da Cultura de Paz no mundo. Na ocasião, também apresentaram a autoridades internacionais presentes o trabalho da Instituição na área socioeducacional, desenvolvido há mais de seis décadas.

 Comenda do ParlaMundi

Em 1997, Nelson Mandela foi condecorado, no Brasil, com a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica, na categoria Hors-Concours. A láurea é entregue pelo Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, ParlaMundi da LBV, àqueles que mais se destacam em suas áreas de atuação, tendo como princípio a Solidariedade sem fronteiras. Na ocasião, o ex-presidente sul-africano declarou: “Sinto-me muito feliz e honrado com esta homenagem prestada pelo ParlaMundi da Legião da Boa Vontade”.

 Para outras informações sobre o trabalho da LBV e sua atuação nas Nações Unidas, acesse http://www.lbv.org/lbv-onu.

Pensar fora da caixa

Paiva Netto

 

paiva-netto_foto-oficialNo 11o Congresso Internacional de Educação da LBV, ocorrido em São Paulo/SP, em junho, a professora Barbara Clark, dos Estados Unidos, destacou: “Foi um congresso muito gratificante e realizador, um dos melhores de que já participei em 40 anos como educadora. Os oficineiros nos fizeram pensar fora da caixa e nos desafiaram a manter nossos olhos no prêmio: a criança”. É importante esse raciocínio, pois um aluno bem formado é resultado de muita criatividade e excelência das ações educativas. Daí perseverarmos nesse caminho, promovendo Educação e Cultura com Espiritualidade Ecumênica. Nosso ideal é o cidadão esclarecido intelectualmente e prodigioso nos mais elevados princípios éticos.

 

HUMANISMO JUDAICO

Recebi, com satisfação, um exemplar de “Humanismo Judaico na Literatura, na História e na Ciência”.A sinopse da obra nos fala da ética judaica, seguida por grandes figuras da História, uma ética comum a todos os seres humanos de bem: “É a prática de um comportamento interpessoal que conduz ao respeito mútuo, à convivência fraternal, à correspondência entre direitos e responsabilidades, à elevação conjunta do nível moral, à garantia dos direitos dos fracos e das minorias (…)”.

Aos ilustres escritores — professor Arnaldo Niskier, jornalista Osias Wurman, padre Jesus Hortal, professor Alberto Alfredo Tolmasquim e dr. Marcelo Itagiba, meu agradecimento pelas cordiais dedicatórias com que me honraram.

 

NOBRE CASAL BUDISTA

Tenho o prazer de saudar aqui um nobre casal, os meus amigos monges budistas Yvonete e Ricardo Mário Gonçalves, de São Paulo. Dona Yvonete, no dia 14 de julho, completou mais um aniversário. Nossos parabéns a ela.

 

TECNOLOGIAS ASSISTIVAS

Recentemente, apresentei-lhes trechos de uma entrevista de Karolline Fernandes Sales, analista de tecnologia assistiva da Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência), ao programa “Sociedade Solidária”, da Boa Vontade TV (canal 23 da SKY). A matéria teve o objetivo de estimular a inclusão, no mercado de trabalho, daqueles que possuem algum tipo de deficiência.

Karolline Sales se manifestou satisfeita com a repercussão do artigo, inclusive entre os portadores de deficiência visual. Um exemplo é o do analista de sistemas Valdenito de Souza. Ele tomou conhecimento pelo jornal “O Nortão”, que circula nos Estados de Mato Grosso e de Rondônia, e compartilhou a publicação no seu mailing. Karolline nos escreveu: “Muito legal a matéria. Olha só como está repercutindo! Fico feliz pela divulgação desse tema em meios tão importantes de comunicação. Em nome da Avape, agradeço e me coloco à disposição para contribuir sempre que precisarem”.

Trata-se de assunto que merece realmente um apoio maior da sociedade.

 

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

A mulher perfeita

Renata LombardiConta-se que um mestre indiano chamado Nasrudin conversava com um amigo, que lhe fez a seguinte pergunta: E então, mestre, nunca pensaste em casamento? 
 
Já pensei, respondeu Nasrudin. Em minha juventude, resolvi conhecer a mulher perfeita. Atravessei o deserto, cheguei a Damasco e conheci uma mulher espiritualizada e linda; mas ela não sabia nada das coisas do mundo. 
 
Continuei a viagem e fui à cidade de Isfahan. Lá encontrei uma mulher que conhecia o reino da matéria e do espírito, mas não era bonita. 
 
Então, resolvi ir até o Cairo, onde jantei na casa de uma moça bonita, religiosa e conhecedora da realidade material. 
 
Intrigado, o amigo indagou: 
 
E por que não casaste com ela? 
 
Ah! Meu companheiro! suspirou Nasrudin. Infelizmente ela também procurava um homem perfeito. 
 
O ensinamento do sábio indiano aplica-se perfeitamente aos dias de hoje. 
 
É comum ouvirmos as exigências das pessoas, no que diz respeito à amizade, ao namoro e casamento. 
 
Os jovens e as jovens trazem em suas mentes sonhadoras a idealização de como deverá ser aquele, ou aquela, que conquistará seu coração. 
 
Ingenuamente, procuramos a perfeição no outro, já que não podemos encontrá-la em nós mesmos.
 
Não há mal, de forma alguma, em ser exigente na escolha de nossas amizades ou de um futuro esposo ou esposa. Isto é saudável, desde que não cheguemos ao exagero, é claro. 
 
O problema está em sempre querer que o outro seja especial, que tenha diversas virtudes, esquecendo de que ele, ou ela, também tem suas exigências, suas idealizações. 
 
Assim, poderíamos questionar: Será que eu tenho estas características, estas virtudes que procuro no outro? Será que ele não tem uma lista de exigências como a minha? Eu preencho os meus próprios requisitos? 
 
Exemplificando: você sonha com alguém que seja companheiro, que seja sincero, e em quem possa confiar. Agora, você já parou para analisar se você está disposto a ser assim para com o outro? Se a virtude da sinceridade está em seu coração, ou se você é digno de inspirar confiança? 
 
Vejamos como a racionalidade nos ajuda a entender melhor as coisas da vida. Ela nos ensina a perceber que antes de exigir qualquer virtude dos outros, é preciso verificar se nós a temos. 
 
Assim, é importante o esforço para se melhorar, para agradar os outros, buscando a perfeição em nós primeiramente. 
 
Ainda estamos longe da sublimidade, é certo, mas é preciso caminhar rumo a ela todos os dias. 
 
* * * 
 
É belo sonhar. É necessário almejar a felicidade. Mas, enquanto procuramos por ela apenas no quintal vizinho, continuaremos a viver decepções e frustrações em nossos dias. 
 
Vamos habituar nossa mente a pensar em como poderemos fazer felizes aqueles que estão à nossa volta, ao invés de apenas exigir atitudes e sentimentos dos outros. 
 
É belo sonhar. É necessário almejar a felicidade. Mas atentemos sempre para o fato de que, para eu ser feliz em meu lar, eu preciso levar a felicidade ao quintal de alguém.

A mais nobre profissão

Renata LombardiQual será a profissão mais nobre? Quem será mais importante: o médico que salva vidas ou o motorista do coletivo que conduz centenas de passageiros, todos os dias, em segurança? 
 
Quem terá maiores méritos perante a divindade? O professor que ensina à criança as primeiras letras, descortinando-lhe o mundo encantado do alfabeto ou o professor universitário que prepara os jovens para o mercado de trabalho, para a sociedade, ensinando-lhes com a própria experiência? 
 
Analisando as tantas profissões que existem no mundo, conclui-se que nenhuma pode ser descartada. Ao menos não enquanto vivemos a situação de planeta de provas e expiações. 
 
Senão vejamos: o escritor utiliza dos seus recursos e escreve livros que renovam o pensamento do mundo. 
 
A sua é a possibilidade de encantar, de proporcionar viagens fantásticas pela imaginação, de utilizar sabedoria, arte e beleza, dentro da vida. 
 
Contudo, uma vassoura simples faz a alegria da limpeza. E, sem limpeza, o poeta não consegue trabalhar. 
 
As máquinas agrícolas abrem sulcos profundos na terra, revolvendo-a e a preparam para o plantio. Logo mais, as linhas que ela traça no solo transbordarão de milho, arroz, batata, trigo, enchendo os celeiros e as mesas. 
 
O marceneiro trabalha com cuidado a madeira e lhe confere formas que cooperam na construção do lar. 
 
O pedreiro ergue muros, coloca alicerces para os edifícios grandiosos. 
 
Organiza o seu pensamento e os seus esforços e faz surgir obras fenomenais. 
 
Mas por mais belo que seja o edifício, os seus mármores, cristais, tapetes luxuosos, não dispensarão a mão amiga da faxineira que lhes dará brilho. 
 
Os magistrados usam a pena e a justiça e sentenciam. 
 
Das suas sentenças dependem vidas. Vidas que prosseguirão a ter alegrias ou se encherão de tristezas. 
 
Os políticos orientam e governam, elaboram leis e as votam, decidindo o que seja melhor para o povo. 
 
Entretanto, todos eles necessitam das mãos hábeis que conduzem as máquinas que lhes tecem as roupas que os defende do frio. 
 
Se os juízes se reúnem nas mesas de paz e justiça, os lavradores e agricultores são os que lhes ofertam os recursos para as refeições. 
 
Ninguém suponha que perante Deus, os grandes homens sejam somente aqueles que usam a autoridade intelectual. 
 
Que seria da humanidade se de repente não tivéssemos mais cozinheiros, recepcionistas, lavadeiras, arrumadeiras, babás? 
 
Que faríamos sem esta gama enorme de servidores da humanidade? 
 
Pense nisso Todos somos chamados a servir, na obra do Senhor, de maneira diferente. 
 
Cada trabalhador, em seu campo de ação, pode se considerar honrado pelo bem que possa produzir. 
 
Cada empregador ou empregado nos convençamos de que a maior homenagem que podemos prestar ao criador é a correta execução do nosso dever, onde estivermos.

A lâmpada queimada

Renata LombardiEra véspera de Natal. Em todas as casas havia intensa alegria. Nas ruas, era grande o movimento. Pessoas transitavam com pacotes, entrando e saindo de lojas cheias de compradores e vendedores ansiosos. 
 
O homem e a mulher se aproximaram de um restaurante. A mulher trazia nos olhos o brilho dos que sabem compartilhar alegrias e se sentem felizes com pequenas coisas. Sorria. 
 
O homem se apresentava carrancudo. O rosto marcado por rugas de preocupação. No coração, um tanto de revolta. 
 
Sentaram-se à mesa e, enquanto ela olhava o menu, procurando algo simples e gostoso para o lanche, ele começou a reclamar. 
 
Reclamou de como as coisas não estavam dando certo. Ele tinha investido em um determinado produto em sua loja, contando que as vendas fossem excelentes. Mas não foram. 
 
O produto não era tão atraente assim. Ou talvez fosse o preço. Enfim, o comerciante reclamava e reclamava. 
 
De repente, ele parou de falar. Observou que sua esposa parecia não estar ouvindo o que ele dizia. Em verdade, ela estava mesmo era em outra esfera. 
 
Olhava fixamente para uma árvore de Natal que enfeitava o balcão do pequeno restaurante. Sim, ela não estava interessada na sua conversa. 
 
Ele também olhou na direção do olhar dela e meio de forma mecânica, comentou: 
 
A árvore está bem enfeitada, mas tem uma lâmpada queimada no meio das luzes. 
 
É verdade, respondeu a mulher. Há uma lâmpada queimada. E você conseguiu vê-la porque está pessimista, meu amor. Não conseguiu perceber a beleza das dezenas de outras luzes coloridas que acendem e apagam, lançando reflexos no ambiente. 
 
Assim também com a nossa vida. Você está reclamando da venda do produto que não deu certo e se mostra triste. Mas está esquecido das dezenas de bênçãos que brilharam durante todo o ano para nós. Você está fixando seu olhar na única lâmpada que não iluminou nada. 
 
* * * 
 
Não há dúvida de que acharemos, no balanço das nossas vidas, diversas ocorrências nas quais nos poderemos dizer muito infelizes. Podemos chegar a sentir como se o Mundo ruísse sob os nossos pés. 
 
Porém, a maior tristeza que pode se abater sobre a criatura, multiplicando desditas para o Espírito, é o mau aproveitamento das oportunidades que lhe concede o Criador, para evoluir e brilhar. 
 
Meditemos sobre isso e descubramos as centenas de lâmpadas que brilham em nossos caminhos. 
 
* * * 
 
Ao lado das dores e problemas que nos atingem as vidas, numerosas são as bênçãos que nos oferece a Divindade. 
 
Apliquemo-nos no dom de ver e ouvir o que é bom, belo e positivo. 
 
Contemplemos a noite que se estende sobre a Terra e sem nos determos no seu manto escuro, descubramos no brilho das estrelas, as milhares de lâmpadas que Deus posicionou no espaço para encher de luz os nossos olhos. 
 
Acostumemo-nos a observar e a ver o bem em toda a parte a fim de que a felicidade nos alcance e possamos sentir a presença do Criador, que é amor na sua expressão mais alta, alevantando-nos as vidas.
 

Isso eu aprendi

Renata LombardiUm periódico de circulação nacional promoveu uma pesquisa bastante interessante. 
 
Fizeram a seguinte pergunta para pessoas em todo Brasil: O que você aprendeu na sua vida, de mais valioso, até hoje? 
 
As respostas foram, na maioria, bastante ricas, e convidam a muitas reflexões necessárias. 
 
Uma delas dizia: 
 
Aprendi que, não importa quanto eu queira, nem quanto tente: eu não consigo mudar ninguém. As pessoas são o que elas são. 
 
É preciso amá-las por sua verdade, não pelo que eu gostaria que fossem. Entendi isso aos 70 anos, na missa de minhas bodas de ouro. 
 
A pessoa entrevistada, na época da pesquisa, já contava com 83 anos, e mostrava que nunca é tarde para se aprender algo importante na existência. 
 
Nosso compromisso de mudança é conosco mesmo. Tentar mudar o outro só nos traz frustração profunda, e possível malquerença mútua. 
 
Outra pessoa inquirida, dizia: 
 
Aprendi que o sorriso é contagiante. Não espero ninguém me cumprimentar; faço questão de saudar todo mundo com um sorriso, todos os dias. 
 
É incrível, mas até as pessoas tímidas ou sisudas sorriem de volta e falam bom dia. 
 
Posturas como essas são posturas que irão salvar o mundo da tristeza, do sofrimento, dos comportamentos depressivos, das doenças. 
 
Tomar a iniciativa é fundamental. Não esperar o sorriso do outro e sempre sorrir, nos faz agentes da alegria na sociedade. 
 
Outro entrevistado, ainda, afirmava: 
 
Aprendi que as coisas são sempre piores na nossa cabeça do que na realidade. Sofria demais por antecedência, imaginando “e se” isso, “e se” aquilo. 
 
Quando acontecia, não era nada demais. O pior já havia passado, e foi dentro de mim. 
 
Quantas vítimas tem feito a nossa ansiedade… Quantas enfermidades geradas pelo comportamento ansioso do mundo moderno. 
 
Entender que a preocupação excessiva não resolve, faz-se fundamental para poder se levar uma vida mais leve, mais agradável. 
 
É indispensável confiar em Deus, em Suas Leis, na perfeição do Universo. 
 
Fazer a nossa parte, sim, e confiar. Confiar sempre, pois o que é melhor para nós sempre acontece. 
 
* * * 
 
De tempos em tempos, precisamos nos perguntar: O que de importante aprendi? 
 
O aprendizado precisa ser identificado, catalogado, amadurecido na alma. 
 
A existência de quem vive colecionando aprendizados é sempre mais feliz. Ela tem propósitos, metas, avaliações e resoluções constantemente. 
 
A postura de quem realiza tais conquistas, e as identifica, não deve ser a postura exibicionista, vaidosa, não. 
 
Essa contabilização é íntima. A comemoração é do coração. 
 
Os que estão à volta poderão identificá-la, claro, mas através de nossas ações no bem, de nossa renovação de valores, que faz brilhar a nossa luz com força e segurança para todos os lados.

O importante é não desistir

Renata LombardiEle foi reprovado em todas as matérias na sétima série. Foi reprovado em física no científico, com nota zero. Sparky também foi reprovado em latim, em álgebra e em inglês. 
 
Nos esportes, ele não foi nada melhor. Conseguiu entrar para o time de golfe da escola, mas perdeu o único jogo importante da temporada. 
 
Quando promoveram um jogo de consolação, ele também perdeu. 
 
Durante todo o tempo na escola, Sparky teve problemas com sociabilidade. Os outros alunos nem chegavam a não gostar dele, porque ninguém lhe dava importância suficiente para isso. 
 
Se algum colega lhe cumprimentasse, fora do horário de aula, era uma surpresa para Sparky. É como se ele não existisse. 
 
Não se sabe como foi sua vida sentimental, mas ele nunca convidou uma garota para sair, durante todo seu tempo na escola. Tinha medo de ser rejeitado. 
 
Ele era um perdedor. Todo mundo sabia disso. Até ele mesmo. Mas havia uma coisa muito importante para ele: desenhar. Seus desenhos eram seu orgulho. 
 
Certo é que ninguém, além dele mesmo, gostava dos desenhos. No último ano do científico, ele ofereceu alguns quadrinhos para os organizadores do livro de formatura. Os quadrinhos foram rejeitados. 
 
Mas Sparky estava convencido de seu talento e resolveu se tornar um artista profissional. 
 
Escreveu uma carta para os estúdios Walt Disney. Pediram que mandasse umas amostras do seu trabalho e sugeriram um tema para ele desenvolver. Ele desenhou os quadrinhos propostos. Trabalhou durante largo tempo. 
 
Esmerou-se tanto que acrescentou uma série de outros quadrinhos, além dos solicitados. 
 
Finalmente, quando recebeu a resposta dos estúdios Disney, descobriu que fora rejeitado. 
 
Mais uma derrota para o perdedor. 
 
Ele decidiu, então, escrever sua própria biografia em quadrinhos. Descreveu a si mesmo quando criança – um garoto perdedor e que nunca conseguia se sobressair. 
 
Logo, o personagem de quadrinhos se tornaria famoso no mundo todo. Isto porque Sparky, o garoto para quem tudo dava errado, cujo trabalho fora rejeitado vezes sem conta, era Charlie Schulz. 
 
Isso mesmo: o criador da tira Peanuts, do cachorro Snoopy e do pequeno personagem Charlie Brown. Um garotinho cuja pipa nunca voava e que nunca conseguia chutar uma bola de futebol. 
 
Uma tira que encantou e continua encantando gerações. 
 
Sparky perseguiu seu sonho e não se deixou intimidar pelas opiniões dos outros. Foi assim que ele se transformou num vencedor. 
 
*** 
 
Cuida-te para que o pessimismo não se agasalhe nos teus sentimentos, anestesiando-te a vontade. 
 
Reveste-te de bom ânimo e prossegue, imperturbável. 
 
O teu estado de ânimo contribui para o resultado das tuas aspirações e dos teus atos. 
 
Em todos os teus empreendimentos coloca o sol da esperança com o calor do otimismo e o êxito te será inevitável.

Escudo contra a depressão

Renata-LombardiAs estatísticas mostram que um número significativo de pessoas sofre de depressão. E as vítimas são cada vez mais jovens, afirmam os especialistas. 
 
Sofrer de depressão é muito mais do que se sentir triste por causa de algum problema. É não encontrar mais prazer em nada, não conseguir tomar decisões, perder a esperança e se tornar descrente de tudo. 
 
“Não haverá um amanhã” é a tônica de muitos depressivos, o que leva 15% deles a se suicidarem. 
 
Enquanto a ciência trabalha para identificar as causas deste terrível mal, os que sofrem de depressão podem fazer algo para fortalecer a própria resistência. 
 
São algumas regras de comportamento que podem funcionar como um escudo contra a depressão. 
 
1ª- tenha pensamentos otimistas. Ninguém nasce pessimista. Pensar de forma negativa é alguma coisa que se aprende e que pode ser esquecida. 
 
Por isso, quando alguma coisa sair errada, não se ache incompetente. Pense que é apenas um caso individual, que não deve ser generalizado. 
 
Reconheça também que você não é o único responsável por tudo. Lembre que tudo passa e amanhã tudo estará melhor, quem sabe, daqui a pouco mude o panorama. 
 
Você já percebeu como a natureza se apresenta chorosa, o céu com nuvens pesadas e escuras, e logo mais o sol brilha forte, o calor chega, as poças de lama secam e tudo está belo outra vez? Assim também é a vida. 
 
2ª regra – tente relaxar mais – trabalhe, mas programe o seu dia para ter seus momentos de descontração. 
 
Não deixe de ler algo positivo, edificante. 
 
Ouça músicas que lhe acalmem o coração e os pensamentos. Saia para um passeio sem compromisso de ir a lugar algum. Dê uma volta na quadra. Vá até a praça olhar as crianças brincar.
 
Deixe o sol lhe acariciar o rosto e o vento lhe desarrumar os cabelos. Vá para o jardim. Plante uma flor. Pode a roseira. Ajeite os galhos dos arbustos. 
 
Freqüente o teatro, uma boa roda de amigos, a praia e o campo, diversificando sempre, para não criar monotonia. 
 
Afeiçoe-se a um trabalho no bem, auxiliando uma instituição, contribuindo e sentindo-se útil, responsável. 
 
3ª- procure apoio social – quem sofre de depressão, tem a tendência a se fechar e a resolver tudo sozinho. 
 
Por isso, converse com alguém que você confie. Alguém que seja capaz de avaliar seus problemas e ajudar você a resolvê-los. 
 
Pode ser um amigo especial, um irmão de crença, um grupo de auto-ajuda. 
 
Por vezes, o depressivo acha difícil até de pensar em deixar suas quatro paredes. Entretanto, o esforço vale a pena. 
 
Visite um templo religioso e confie-se a um diálogo fraterno. Ou, então, procure um profissional especializado para falar, desabafar e receber sugestões para levantar a sua auto-estima. 
 
*** 
 
Não se permita descer ao fundo do poço, nem cair até os últimos degraus da depressão. 
 
Se árvores floridas, pessoas felizes e risos lhe causam inveja e o incomodam, comece a exercitar, desde agora, as regras do escudo contra a depressão. 
 
A vida é preciosa demais para não ser vivida em totalidade. E vivê-la em totalidade é produzir coisas positivas, sentir-se feliz e fazer os outros felizes. 
 
É contribuir para o bem estar de alguém. É ser responsável por uma criatura, uma planta, um vaso de flor, um animal, uma tarefa qualquer. 
 
Afinal, todo o sentido da vida se resume no amor, pois todos fomos criados pelo amor de Deus.
 

Escolas ou presídios?

Escolas ou presídios?A história daquele jovem de 18 anos, não é diferente das histórias de muitos jovens pobres dessa idade, em nosso país e nos demais países subdesenvolvidos. 
 
Ele estava ali, contra o muro, ao lado do carro roubado, em frente às câmeras e ao repórter que fazia a matéria para levar ao ar num desses programas de TV que exploram as misérias humanas. 
 
O jovem estava vestido com visível pobreza. Camiseta, bermuda e “chinelo de dedo”. 
 
Em pé, com as costas no muro, ele apertava as pálpebras para evitar que as lágrimas caíssem, mas elas brotavam, teimosas, e rolavam pelo seu rosto amedrontado, apavorado, indefeso. 
 
Ele não havia roubado o carro, era apenas o entregador. 
 
Perseguido pela polícia, na curva de um viaduto ele perdeu a direção do veículo e se chocou contra a murada. 
 
Agora estava ali, com as mãos algemadas e rodeado por policiais e pelos repórteres. 
 
O outro garoto que estava com ele no carro no momento do acidente não era focalizado, já que era menor de idade. 
 
O repórter, que sabia parte da história, perguntou ao jovem, desejando saber mais sobre o assunto: “Sabemos que você não roubou esse veículo, mas poderia dizer para onde iria levá-lo?” 
 
E a resposta do jovem: “Nóis não sabe. Nóis tava levando o carro e alguém ia informá pra nóis o que era pra fazê.” 
 
Não havia dúvida… 
 
Estava ali a prova da nossa falência, como sociedade, dita civilizada. 
 
Todos nós, brasileiros, somos responsáveis pelo que aconteceu com aquele jovem e com os demais jovens e crianças do nosso país. 
 
Sim, ele, como os demais, é um dos filhos da nossa pátria, e, portanto, responsabilidade nossa. 
 
Quando não se constroem escolas, é preciso construir presídios para segregar os delinqüentes, que não tiveram acesso às letras. 
 
Sem dúvida que o acesso à escola não é garantia de honestidade, e disso temos provas diariamente. 
 
No entanto, a falta de escola tem sido a grande responsável pela delinqüência de nossas crianças, adolescentes e jovens. 
 
E esse era o caso daquele garoto, que ainda trazia no rosto o semblante da inocência, da fragilidade, da insegurança, do abandono social. 
 
Não havia dúvida de que era fruto da miséria, filho de pais que também não tiveram acesso à escola, ou talvez nem tivesse pais. 
 
Pelas necessidades que portava, foi usado por alguma quadrilha de ladrões de carros. 
 
Para ganhar alguns trocados e sobreviver, arriscava a própria vida. 
 
Talvez você esteja se perguntando: “E o que eu tenho a ver com isso? Isso é problema dos governantes.” 
 
Mas a própria consciência lhe pergunta: “E se fosse seu filho, seu irmão, seu neto, seu sobrinho?” 
 
É preciso, não há dúvida, socorrer a infância, construir escolas, criar condições de acesso das crianças ao estudo, à alimentação, à moradia, à segurança. 
 
Ou, então, não restará outra opção a não ser construir presídios e mais presídios… 
 
E vale considerar que os custos de manutenção de um detento, em nosso país, é muito, mas muito maior do que os custos de um aluno na escola. 
 
Além disso, o cárcere tem outros tantos prejuízos para o indivíduo e para a sociedade, que não deixa dúvida que a escola é a melhor e mais barata das alternativas. 
 
E a decisão, como sempre, é nossa. 
 
Pensemos nisso!

Ensinar com sabedoria

Renata LombardiVocê já teve alguma dificuldade para convencer seu filho a fazer alguma coisa que ele não desejava ou se sentia incapaz de fazer? 
 
Em caso afirmativo, qual foi a tática usada para esse convencimento? 
 
As respostas são as mais variadas possíveis, mas, geralmente, não usamos estratégias eficientes porque a nossa paciência não o permite. 
 
Todavia, para que consigamos um resultado satisfatório na educação dos filhos, é preciso ensinar com sabedoria. 
 
Uma pequena história de dois irmãos nos dará mostra disso. 
 
O menino, parado diante da alta montanha, disse à irmã mais velha: 
 
“Não consigo subir este morro. É impossível! O que vai acontecer comigo? Vou passar a vida inteira aqui no pé do morro? Isso é terrível demais!” 
 
“Que pena!” Disse a irmã. “Mas olhe, maninho, descobri uma brincadeira ótima!” 
 
No mesmo instante, pisou com força no solo e desafiou o irmão: “Duvido que você consiga deixar uma pegada tão nítida, na terra, quanto a minha.” 
 
O menino aceitou o desafio e deu um passo à frente. Colocou o pé no chão e respondeu com alegria: 
 
“Veja! A minha pegada está igual à sua!” 
 
“Você acha?” Perguntou a irmã. “Olhe a minha de novo. Agora eu vou pisar mais fundo, porque sou mais pesada que você. 
 
Tente outra vez, e veja se consegue pisar mais forte”, continuou a irmã. 
 
“Agora a minha está tão funda quanto a sua”, gritou o menino com alegria. 
 
E, com satisfação continuou a dar passos e fazer pegadas cada vez mais fortes. 
 
“Olhe, mana! Esta, esta e esta, estão o mais fundo possível.” 
 
“É, está muito bom mesmo”, disse a irmã. “Mas agora é minha vez, deixe eu tentar de novo e vamos ver.” 
 
E eles continuaram, passo a passo, comparando as pegadas e rindo da nuvem de poeira que deixavam para trás. 
 
Não demorou muito tempo e o menino olhou para cima. 
 
“Ei”, disse ele, “nós estamos no alto do morro.” 
 
“Nossa!” Disse a irmã. “Estamos mesmo.” 
 
A garota, usando a sabedoria, conseguiu convencer o irmão que não estava disposto a enfrentar a caminhada morro acima. 
 
Sua tática foi a de caminhar à sua frente e desafiá-lo a fazer o mesmo, em forma de brincadeira. 
 
Mas, ao contrário da sua atitude, muitos de nós usamos a maneira mais difícil, que é a do empurrão. Desejamos que os filhos vençam as dificuldades e as limitações na base da chantagem ou do tradicional “sopapo”. 
 
Talvez esse seja o motivo pelo qual nossas tentativas muitas vezes não dão bom resultado. 
 
Por essa razão, vale a pena pensar na melhor forma de conduzir nossos educandos para que eles consigam chegar ao ponto que desejamos, sem cicatrizes e sem traumas. 
 
Pensemos nisso!

É difícil definir amigo

Amigo é quem lhe dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que lhe faz falta. 
 
Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. 
 
É quem tentou e fez, e não é egoísta para não querer compartilhar o que aprendeu. 
 
É aquele que ajuda e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer já o realimenta e satisfaz. 
 
Amigo é quem entende seu sentimento porque já sentiu, ou um dia vai sentir, o mesmo que você. 
 
Um amigo é compreensão para o seu cansaço e complemento para as suas reticências. 
 
É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir de vez em quando, sua sede de inovar sempre. 
 
É ao mesmo tempo espelho que o reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. 
 
O amigo se compadece pelos seus erros, e vibra com o seu sucesso. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais o seu sorriso. 
 
Amigo é aquele que toca suas feridas com mãos de veludo; acompanha suas vitórias com euforia e faz piada para amenizar seus problemas. 
 
Amigo é aquele que sente medo, dor, náusea, cólica, e chora, como você. E, se pudesse, sofreria no seu lugar. 
 
Um amigo sabe que viver é ter história para contar. 
 
É quem sorri para você sem motivo aparente, sofre com seu sofrimento, e é o padrinho natural dos seus filhos. 
 
É aquele que encontra para você aquilo que nem você sabia que buscava. 
 
Amigo é quem lhe envia cartas, esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas. 
 
É aquele que lhe ouve ao telefone mesmo quando a ligação parece caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se estivesse olhando em seus olhos. 
 
Amigo é aquele que entende o que seus olhos dizem, sem precisar de palavras. 
 
É aquele que adivinha seus desejos, seus disfarces, suas alegrias, e percebe seus medos. 
 
Amigo é quem aguarda pacientemente que surja aquele brilho no seu olhar e se entusiasma quando o vê surgir. É quem tem sempre uma palavra sob medida quando seus olhos se cobrem de lágrimas. E é também aquele que sabe quando você está lutando para sufocá-las na garganta. 
 
Amigo é como lua nova, é como a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores, que cabem todas na sua íris. 
 
Amigo é verdade e razão, sonho e sentimento… 
 
Amigo é aquele que lhe diz: “eu amo você” sem qualquer medo de má interpretação. 
 
Enfim, amigo é quem ama você e ponto final. 
 
*** 
 
As doações de amizade pura enriquecem os companheiros de jornada. 
 
Quando outras emoções se enfraquecem no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada das pessoas que se estimam. 
 
Ter amizade é ter coração que ama e esclarece, que compreende e perdoa, nas horas mais amargas da vida. 
 
Por tudo isso, estendamos os benditos recursos da amizade real onde a discórdia tenta espalhar o escuro domínio que lhe é próprio.
 

Desejo a você

Renata LombardiExistem poemas que demonstram grandiosa beleza e a profunda sensibilidade de seus autores. Dentre eles existe um que diz o seguinte: 
 
Desejo, primeiro, que você ame, e que, amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que, esquecendo, não guarde mágoa. 
 
Desejo também que tenha amigos, ainda que maus e inconseqüentes. Que sejam corajosos e fiéis, e que pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar. 
 
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha adversários. Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas. 
 
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro. 
 
Desejo, depois, que você seja útil, mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. 
 
Desejo, ainda, que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros. 
 
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais, e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer, e que, sendo velho, não se entregue ao desespero. 
 
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor, e é preciso deixar que aconteçam no tempo certo.
 
Desejo, por sinal, que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia. E que nesse dia descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano. 
 
Desejo que você descubra, com a máxima urgência, acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos e infelizes, e que estão à sua volta. 
 
Desejo, ainda, que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal porque, assim, você se sentirá bem por pouca coisa. 
 
Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore. 
 
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga Isso é meu, só para que fique bem claro quem é o dono de quem. 
 
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você, mas que, se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar. 
 
Desejo, por fim, que você, sendo homem, tenha uma boa mulher, e que sendo mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar. 
 
* * * 
 
Muitas vezes, desejamos que a vida seja feita apenas de coisas que nos parecem agradáveis, esquecidos de que são os obstáculos que nos fortalecem e nos fazem evoluir. 
 
São as responsabilidades que nos pesam aos ombros que nos mantêm com os pés no chão, e as forças contrárias servem de testes para nossa resistência. 
 
Assim sendo, só podemos avaliar o valor das circunstâncias pelas lições que nos deixam depois que passam. 
 
Pensemos nisso!
 

Comece bem o seu dia

Renata LombardiQual é o primeiro pensamento que lhe vem à mente quando você acorda de manhã? 
 
Talvez você acredite que o que você pensa no primeiro instante do seu dia, tem pouca importância, mas não é assim. 
 
O pensamento é uma poderosa ferramenta com a qual você pode obter resultados valiosos na sua jornada diária. 
 
Assim, você pode definir como vai ser o seu dia, logo que abrir os olhos de manhã. 
 
Analise, conosco, se já teve algum desses pensamentos ao despertar: 
 
Eu queria que hoje fosse feriado, para dormir até tarde! 
 
Ah, como eu gostaria de ser milionário para não precisar trabalhar! 
 
Meu Deus! Que vida dura. Não agüento mais ser escravo do relógio! 
 
Ah, como é difícil ter que bater ponto todos os dias… 
 
Ah, se eu descobrisse quem inventou o trabalho… 
 
Um dia eu ainda acabo com esse maldito despertador para sempre! 
 
Se você notou qualquer semelhança, não é mera coincidência não. Esses são pensamentos matinais muito comuns em grande número de pessoas. 
 
Há até aquelas que chegam ao cúmulo de desejar uma doença qualquer que servisse de desculpa para ficar em casa o dia todo, em regiões de clima frio, e curtir uma praia, nas regiões quentes. 
 
Ora, se você saúda o dia com pensamentos dessa natureza, o que espera que o seu dia lhe ofereça? 
 
É importante considerar que a força de um simples pensamento pode alterar a paisagem do seu hoje. 
 
Se, ao acordar, você se lembrasse de agradecer pela nova manhã que Deus lhe concede; Pela oportunidade de estar ainda no corpo físico, quando muitos partem para o além durante o sono. 
 
Pelo fato de estar empregado, enquanto muitos não conseguem dormir preocupados com uma forma de conseguir um trabalho que lhe permita sustentar a família; Por estar com saúde, enquanto muitos gemem de dor nos leitos dos hospitais; certamente o seu dia teria um colorido diferente. 
 
Quando o dia consegue vencer a noite e nos saúda pela manhã com novas oportunidades, é hora de elevar o pensamento ao Criador e agradecer, ainda que ligeiramente. 
 
É hora de sintonizar com as esferas mais altas e colocar-se à disposição para uma nova jornada de trabalho útil. 
 
Agindo assim, em vez de criar nuvens escuras com pensamentos pessimistas, você estará clarificando o seu dia e fazendo luz ao seu redor. Cultivando pensamentos saudáveis você espalha uma atmosfera radiante no ar e contagia as pessoas com as quais convive, tornando o seu ambiente mais agradável e mais harmônico. 
 
*** 
 
Ao despertar para mais um dia de experiências na terra, eleve o pensamento aos céus através da oração. 
 
Alcance, pelo pensamento, as altas paragens onde reina a harmonia… E já não ouvirá os sons estridentes da Terra, mas as melodias suaves dos Anjos, dos Arcanjos, dos Serafins, que são mais delicadas que as brisas da manhã quando brincam na folhagem dos bosques… 
 
Eleve a alma ao Criador e sinta o perfume das flores celestes cultivadas nos mundos sublimes, antes de iniciar o seu dia… 
 
Busque a paz interior e, só então, levante-se para ter um bom dia…
 

Aja com calma

Renata LombardiNão se deixe consumir pelas excitações e nervosismos desses dias tão agitados. Procure fazer tudo com calma. 
 
É compreensível que num tempo em que ainda se afirma que tempo é dinheiro, você tenha os ímpetos comuns da época, quais sejam os de ganhar e ganhar, temendo as necessidades futuras. 
 
É justificável que você corra de um lado para outro, na busca dos bons negócios, da conquista de melhores mercados, na busca, enfim, dos lucros. 
 
É admissível que você não tenha tempo para se alimentar devidamente, para repousar um pouco, para meditar um pouquinho ou para orar. 
 
Entendemos, meu irmão e minha irmã, que cada um dos seus negócios ou cada uma das suas ocupações lhe exija atenção e envolvimentos especiais. 
 
Entretanto, vale a pena não esquecer que tudo isso é secundário para a vida da alma, porque tudo isso vai ficar sobre o pó do mundo. 
 
Foi Jesus que nos recomendou não nos atormentássemos pela posse do ouro, e que a cada dia já bastam seus problemas. 
 
Então, devemos pensar que o corpo físico nos é emprestado enquanto estamos no planeta com os divinos objetivos do progresso espiritual. 
 
Compreendamos, pois, que a calma deve se tornar companhia e conselheira dos nossos dias terrenos, ensinando-nos a fazer tudo com moderação, procurando vincular a mente ao psiquismo celeste, a fim de que não convertamos em tormento e destruição o que deveria ser fonte de vida e de alegria: o tempo. 
 
Aja sempre com calma, para que tenha tempo de pensar bem sobre tudo e de agir bem em tudo que faça. 
 
Alimente-se o mais corretamente possível, preservando o corpo que o ajuda tanto. Dê ao seu corpo e à mente alguns momentos de repouso, para manter a necessária sanidade. 
 
Encontre um tempinho, alguns poucos minutos que sejam, para meditar sobre a sua realidade no mundo, sobre o que é que Deus espera de você, e ore. 
 
Procure sintonizar-se com seu anjo guardião, com os nobres mentores da vida, pelo menos ao iniciar um novo dia de atividades. 
 
Essas providências, ao mesmo tempo em que lhe trarão calma, serão conseqüências do seu estado de calma. 
 
Com calma em seu cotidiano, você evitará as indisposições com terceiros, as irritações na via pública, a agressividade no trânsito da cidade, bem como os estresses desnecessários dentro do lar. 
 
Com calma você entenderá cada ocorrência a sua volta e cada pessoa em seu caminho. 
 
Nada você perderá pelo uso da calma em sua trajetória humana, pois, longe de alimentar-se da idéia materialista de que tempo é dinheiro, você começará a pensar que, fundamentalmente, tempo é oportunidade, e que você deverá aproveitá-la para o melhor. 
 
Mesmo que deixe de lucrar algumas poucas moedas, no jogo enlouquecido das competições, você conquistará harmonia e saúde, a fim de prosseguir na rota da felicidade que tanto deseja. 
 
Seja qual for a situação cotidiana que o convide à ação, à tomada de atitude, faça-o com calma, com muita calma, e aguarde os resultados excelentes em clima de paz. 
 
*** 
 
A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas, sob a condição de ser bem empregada. 
 
Se todos os homens que a possuem dela se servissem de conformidade com a vontade de Deus, fácil seria, para os espíritos, a tarefa de fazer que a humanidade avance.

A ação mais importante

Renata LombardiUm dia, um advogado famoso foi entrevistado. Entre tantas questões, lhe perguntaram o que de mais importante fizera em sua vida. 
 
No momento, ele falou a respeito do seu trabalho com celebridades. 
 
Mais tarde, penetrando as profundezas de suas recordações, relatou: O mais importante que já fiz em minha vida ocorreu no dia 8 de outubro de 1990. 
 
Estava jogando golfe com um ex-colega e amigo que há muito não via. 
 
Conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele contou-me que sua esposa acabara de ter um bebê. 
 
Estávamos ainda jogando, quando o pai do meu amigo chegou e lhe disse que o bebê tivera um problema respiratório e fora levado às pressas ao hospital. 
 
Apressado, largando tudo, meu amigo entrou no carro de seu pai e se foi. 
 
Fiquei ali, sem saber o que deveria fazer. Seguir meu amigo ao hospital? Mas eu não poderia auxiliar em nada a criança, que estaria muito bem cuidada por médicos e enfermeiras. 
 
Nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação. 
 
Ir até o hospital e oferecer meu apoio moral? Talvez. Contudo, tanto meu amigo como a sua esposa tinham famílias numerosas. 
 
Sem dúvida, eles estariam rodeados de familiares e de muitos amigos a lhes oferecer apoio e conforto, acontecesse o que fosse. 
 
A única coisa que eu iria fazer no hospital era atrapalhar. Decidi que iria para minha casa. 
 
Quando dei a partida no carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu veículo aberto. E com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis. 
 
Decidi, então, fechar o seu carro e levar as chaves até o hospital. 
 
Como imaginara, a sala de espera estava repleta de familiares. Entrei sem fazer ruído e fiquei parado à porta. 
 
Não sabia se deveria entregar as chaves ou conversar com meu amigo. 
 
Nisso, um médico chegou, se aproximou do casal e comunicou a morte do bebê. Eles se abraçaram, chorando. 
 
O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança. 
 
Eles ficaram de pé e se encaminharam para a porta. Ao me ver, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. 
 
Meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: “Muito obrigado por estar aqui!” 
 
Durante o resto da manhã, fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurando seu bebê, e se despedindo dele. 
 
Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida! 
 
* * * 
 
A vida pode mudar em um instante. 
 
Podemos fazer planos e imaginar nosso futuro. Mas ao acordarmos pela manhã, esquecemos que esse futuro pode se alterar em um piscar de olhos. 
 
Esquecemos que podemos perder o emprego, sofrer uma doença, cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas. Por isso, entre as tantas coisas que nos tomam as horas todos os dias, não esqueçamos de eleger um tempo para umas férias, passar um dia festivo com a família. 
 
Uma hora para estar com as crianças, ler para elas, participar de uma festa na escola. 
 
E, naturalmente, guardar um tempo para cultivar amizades.

A arte de ensinar

Renata LombardiDia desses um garoto de oito anos contava para a mãe suas experiências na sala de aula. Comentava sobre cada professor, sua maneira de ser e de transmitir ensinamentos. 
 
Dizia que gostava muito das aulas de uma determinada professora, embora não gostasse muito da matéria. 
 
Comentava, ainda, que detestava ter que assistir as aulas de sua matéria preferida porque não gostava da professora. 
 
Dizia, com a franqueza que a inocência infantil permite: A professora de História está sempre de mau humor. Ela grita com a gente por qualquer motivo e nunca sorri. 
 
Quando passa uma lição e algum aluno não faz exatamente como ela mandou, faz um escândalo. Todos os alunos têm medo dela. 
 
Já a professora de Português está sempre sorrindo. Brinca com a turma e só chama atenção quando alguém está atrapalhando a aula. Eu até fiz uma brincadeira com ela um dia desses, e ela riu muito. 
 
Depois de ouvir atentamente, a mãe lhe perguntou: E por que você não gosta das aulas de religião, filho? 
 
Ah, falou o menino, o professor é grosseiro e cínico. Critica todos os alunos que têm crença diferente da dele e diz que estão errados sempre que não respondem o que ele quer ouvir. 
 
E, antes de sair para suas costumeiras aventuras com os colegas, o garoto acrescentou: Agora eu sei que, por mais complicada seja a matéria, o que faz diferença mesmo, é o professor. 
 
De uma conversa entre mãe e filho, aparentemente sem muita importância, podemos retirar sérias advertências. 
 
E uma delas é a responsabilidade que pesa sobre os ombros daqueles que se candidatam a ensinar.
 
Muitos se esquecem de que estão exercendo grande influência sobre as mentes infantis que lhes são confiadas por pais desejosos de formar cidadãos nobres. 
 
Talvez pensando mais no salário do que na nobreza da profissão, alguns tratam os pequenos como se fossem culpados por terem que passar longas horas numa sala de aula. 
 
Mais grave ainda, é quando se arvoram a dar aulas de Religião e agridem as mentes infantis com a arrogância de que são donos da verdade, semeando no coração da criança as sementes do cepticismo. 
 
Quem aceita a abençoada missão de ensinar, deve especializar-se nessa arte de formar os caracteres dos seus educandos, muito mais do que adestrar-se em passar informações pura e simplesmente. 
 
É preciso que aqueles que se dizem professores tenham consciência de que cada criatura que passa por uma sala de aula, levará consigo, para sempre, as marcas indeléveis de suas lições. Sejam elas nobres ou não. 
 
É imprescindível que os educadores sejam realmente mestres, no verdadeiro sentido do termo. 
 
Que ensinem com sabedoria, entusiasmo e alegria. 
 
Que exemplifiquem a confiança, a paz, a amizade, o companheirismo e o respeito. 
 
E aquele que toma sobre si a elevada missão de ensinar Religião, deverá estar revestido de verdadeira humildade e da mais pura fraternidade, a fim de colocar Deus acima de qualquer bandeira religiosa. 
 
Deverá religar a criatura ao seu Criador, independente da Religião que esta professe, sem personalismo e sem o sectarismo deprimente, que infelicita os seres e os afasta de Deus. 
 
Por fim, todo professor deverá ter sempre em mente que a sua profissão é uma das mais nobres, porque é a grande responsável por iluminar consciências e formar cidadãos de bem. 
 
* * * 
 
Mestre verdadeiro é aquele que ajuda a esculpir nas almas as mais belas lições de sabedoria. 
 
Verdadeiro professor é aquele que toma das mãos do homem, ainda criança, e o conduz pela estrada segura da honestidade e da honradez. 
 
O verdadeiro mestre é aquele que segue à frente, sinalizando a estrada com os próprios passos, com o exemplo do otimismo e da esperança.

A arte dos elogios

Renata LombardiPesquisadores da universidade de Yale, nos Estados Unidos da América, realizaram um estudo com dez mil executivos Seniors para medir o poder da amizade na qualidade de vida dos americanos. 
 
O resultado foi impressionante: ter amigos reduzia em nada menos que 50% o risco de morte, sobretudo por doenças, num período de cinco anos. Estas informações foram publicadas por um jornal carioca, recentemente, nos convidam a pensar a respeito das amizades que cultivamos. 
 
Muitos de nós temos facilidades para fazer novos amigos. Mas, nem sempre temos habilidade suficiente para manter essas amizades. É que, pelo grau de intimidade que os amigos vão adquirindo em nossas vidas, nos esquecemos de os respeitar. 
 
Assim, num dia difícil, acreditamos que temos o direito de gritar com o amigo. Afinal, com alguém devemos desabafar a raiva que nos domina. Porque estamos juntos muitas horas, justamente por sermos amigos, nos permitimos usar para com eles de olhares agressivos, de palavras rudes. 
 
Ou então, usamos os nossos amigos para a lamentação constante. Todos os dias, em todos os momentos em que nos encontramos, seja para um lanche, um passeio, uma ida ao teatro ou ao cinema, lá estamos nós, usando os ouvidos dos nossos amigos como lixeira. 
 
É isso mesmo. Despejando neles toda a lama da nossa amargura, das nossas queixas, das nossas reclamações. Quase sempre, produto da nossa forma pessimista de ver a vida. Sim, nossos amigos devem saber das dificuldades que nos alcançam para nos poderem ajudar. O que não quer dizer que devamos estragar todos os momentos de encontro, de troca de afetos, com os nossos pedidos, a nossa tristeza. 
 
Os amigos também têm suas dificuldades e para nos alegrar, procuram esquecê-las e vêm, com sua presença, colocar flores na nossa estrada árida. Outras vezes, nos permitimos usar nossos amigos para brincadeiras tolas, até de mau gosto. Acreditando que eles, por serem nossos amigos, devem suportar tudo. E quase sempre nos tornamos inconvenientes e os machucamos. 
 
Por isso, a melhor fórmula para fazer e manter amigos é usar a gentileza, a simpatia, a doçura no trato com as pessoas. 
 
Lembremos que a amizade, como o amor, necessita ser alimentada como as plantas do nosso jardim. Por isso a amizade necessita, para se manter da terra fofa da bondade, do sol do afeto, da chuva da generosidade, da brisa leve dos pequenos gestos de todos os dias. 
 
*** 
 
Usa a cortesia nos teus movimentos e ações, gerando simpatia e amizade. 
 
Podes começar no teu ambiente de trabalho. Os que trabalham contigo merecem a tua consideração e o teu respeito. 
 
Torna-os teus amigos. Por isso, no trato com eles, usa as expressões: por favor, muito obrigado. 
 
Lembra-te de dizer bom dia, com um sorriso, desejando de verdade que eles todos tenham um bom dia. 
 
Observa e ajuda quanto puderes, gerando clima de simpatia. 
 
Sê amigo de todos e espalha o perfume da amizade por onde vás e onde estejas.

A alegria do trabalho

Renata LombardiUm grande pesquisador da alma humana, interessado em estudar os sentimentos alimentados no íntimo de cada ser, resolveu iniciar sua busca junto àqueles que estavam em pleno exercício de suas profissões. 
 
Dirigiu-se, então, a um edifício em construção e ali permaneceu por algum tempo a observar cada um daqueles que, de uma forma ou de outra, faziam com que um amontoado de materiais fossem tomando forma de um arranha-céu. 
 
Depois de observar cuidadosamente, aproximou-se de um dos pedreiros que empurrava um carrinho de mão, cheio de pedras e lhe perguntou: 
 
Poderia me dizer o que está fazendo? 
 
O pedreiro, com acentuada irritação, devolveu-lhe outra pergunta: 
 
O senhor não está vendo que estou carregando pedras? 
 
O pesquisador andou mais alguns metros e inquiriu a outro trabalhador que, como o anterior, também empurrava um carrinho repleto de pedras: 
 
Posso saber o que você está fazendo? 
 
O interpelado respondeu com presteza: 
 
Estou trabalhando, afinal, preciso prover meu próprio sustento e da minha família. 
 
Mais alguns passos e o estudioso acercou-se de outro trabalhador e lhe fez a mesma pergunta. 
 
O funcionário soltou cuidadosamente o carrinho de pedras no chão, levantou os olhos para contemplar o edifício que já contava com vários pisos e, com brilho no olhar, que refletia seu entusiasmo, falou: 
 
Ah, meu amigo! eu estou ajudando a construir este majestoso edifício! 
 
* * * 
 
Neste relato singelo, encontramos motivos de profundas reflexões acerca do trabalho. 
 
Em primeiro lugar, devemos entender que o trabalho não é castigo: é bênção. Deve, por isso mesmo, ser executado com prazer. 
 
E o meio de conseguirmos isso consiste em reduzir o quanto possível o cunho egoístico de que o mesmo se reveste em nosso meio. 
 
O trabalho é lei da natureza, mediante a qual o homem forja o próprio progresso, desenvolvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa, ampliando os recursos de preservação da vida. 
 
Desde as imperiosas necessidades de comer e beber, defender-se das intempéries até os processos de garantia e preservação da espécie, o homem se vê compelido à obediência à Lei do trabalho. 
 
O trabalho, no entanto, não se restringe apenas ao esforço de ordem material, física mas, também, intelectual, pelo labor desenvolvido, objetivando as manifestações da cultura, do conhecimento, da arte, da ciência. 
 
Dessa forma, meditemos no valor do trabalho, ainda que tenhamos que enfrentar tantas vezes um superior mal humorado, um subalterno relapso, porque as Leis Divinas nos situam exatamente onde necessitamos. No lugar certo, com as pessoas certas, no momento exato. 
 
Convém que observemos a natureza e busquemos imitá-la, florescendo e produzindo frutos onde Deus nos plantou. 
 
E, se alguém nos perguntar o que estamos fazendo, pensemos bem antes de responder, pois da nossa resposta depende a avaliação que as leis maiores farão de nós. 
 
Será que estamos trabalhando com o objetivo de enriquecer somente os bolsos, ou pensamos em enriquecer também o cérebro e o coração?