O Burro e o Poço

O Burro e o PoçoCerto dia, o burro de um aldeão caiu num poço. O animal fartou-se de zurrar. Zurrou tão fortemente durante horas e horas que o dono inquieto por não conseguir tirá-lo sozinho, resolveu ir procurar ajuda para o retirar.

Não a encontrando, acabou por decidir que, sendo o burro já velho e estando o poço seco, o melhor que tinha a fazer era sacrificar o burro. Tapava o poço e o burro ficava lá enterrado.

O aldeão pegou numa pá e começou a atirar terra para dentro do poço. O burro, ao ver o que se estava a passar, começou desesperadamente a zurrar. Mas, pouco depois, e para surpresa do aldeão, ele calou-se, e o único som que se ouvia era o som das pazadas de terra a cair.

Pensando que o burro estava morto, o aldeão, olhando para o fundo do poço, não pode esconder o seu espanto ao ver o que o burro estava fazendo. O animal de cada vez que caía uma pá de terra, sacudia-a para trás das suas costas e dava mais um passo para cima dela.

A realidade é que rapidamente, pazada atrás de pazada, o aldeão, viu com os seus próprios olhos, como o burro chegou à boca do poço, saltou por cima e aí vai ele a caminho do seu pasto.

A exemplo da história do burro, a “vida” vai-nos atirar muita terra para cima, e terra de todos os gêneros, até parecer que estamos no fundo de um poço, onde a escuridão nos abafa e nos paralisa. 

O que temos de fazer é não desistir nunca. Se olharmos para cima, a luz está lá para nos encorajar e dar direção. Para sairmos do “poço”, temos que sacudir “toda a terra” e usá-la para darmos um passo de cada vez, sempre em direção à luz que vem de cima. 

Cada um dos nossos problemas é apenas a oportunidade de construirmos um degrau para subir, e continuar a subir até estarmos a salvo. Não vale de nada vitimizar-nos. Antes, temos que ser responsáveis e usar a terra que nos foi atirada, para subirmos, degrau a degrau, com rumo, em direção a tudo o que temos direito.

“Procuremos acender uma vela, em vez de amaldiçoar toda a escuridão”

Posso estar errado

Renata LombardiEle carregou aquele peso inútil durante todo o dia. 
 
Saíra de casa afobado, nervoso, e ainda por cima, havia discutido com a esposa. 
 
Defendera uma idéia, um pensamento, com unhas e dentes, como se não conseguisse admitir, de forma alguma, que sua opinião poderia não ser a verdadeira. 
 
Foi grosseiro, teimoso e impaciente. 
 
Voltava agora para casa, e ao sintonizar a rádio no carro, ouviu a frase: Posso estar errado. 
 
Era um professor dizendo o quanto sua vida se tornou diferente, quando passou a considerar esta opção, perante os alunos. 
 
Dizia que passaram a respeitá-lo mais do que antes, quando pretendia ser sempre o dono da verdade. 
 
Afirmava que até mesmo os conteúdos, sendo passados de uma forma mais humilde, menos impositiva, eram melhor absorvidos pela classe. 
 
Ele resumia sua teoria dizendo: Admitir falhas é o melhor caminho. 
 
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Será que costumamos fazer este exercício? Considerar, nesta ou naquela situação ou discussão, que podemos estar errados? 
 
Ou ainda insistimos em achar que o nosso ponto de vista é sempre o mais correto? 
 
Parece que, ao acharmos que estamos com a razão, acreditamos que a nossa opinião é mais importante do que a dos demais, e que tem de prevalecer. 
 
Não percebemos, mas isso é manifestação do vício do orgulho, em uma de suas muitas formas de atuação. 
 
Um exercício interessante é tentar, a cada momento, considerar a simples hipótese de que podemos estar errados, e fazer um esforço para enxergar as coisas por outro ângulo. 
 
Podemos experimentar ser mais flexíveis e abertos e lembrarmos que algumas vezes podemos não estar com a razão. 
 
Tal forma de agir nos ajuda a tomar decisões mais acertadas e, conseqüentemente, duradouras, pois elas não terão sido fruto de uma reação automática de nossa personalidade. 
 
Ao nos desapegarmos da necessidade de estarmos sempre com a razão, transformamos nossas vidas numa experiência bem mais prazerosa. 
 
Afinal, por que temos que estar sempre certos? Não parece um peso desnecessário que carregamos nos ombros? 
 
Buscar acertar sempre é saudável, nos faz crescer. Porém, querer ser sempre o dono da verdade, é desperdício de energia. Além de ser uma pretensão muito grande. 
 
O caminho para a verdade está em conhecer todos os ângulos possíveis de visão sobre algo, e isso só é possível ouvindo os outros, considerando as experiências alheias na construção de nosso conhecimento. 
 
Quanto mais humildes, mais ouvimos. Quanto mais orgulhosos, mais queremos ser ouvidos. 
 
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Dale Carnegie, autor do best seller Como fazer amigos e influenciar pessoas, afirma que você nunca terá aborrecimentos admitindo que pode estar errado. 
 
Isto evitará discussões e fará com que o outro companheiro se torne tão inteligente, e tão claro e tão sensato como foi você. 
 
Fará com que ele também queira admitir que pode estar errado. 
 
A inflexibilidade de uma opinião gera quase sempre aversão. Um gesto de humildade sempre inspira outro.